Privação do sono: como afeta o cérebro das crianças?

Estudo na revista “Frontiers in Human Neuroscience”

02 dezembro 2016
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A privação do sono afeta o cérebro das crianças e dos adultos de formas diferentes, sugere um estudo publicado na revista “Frontiers in Human Neuroscience”.
 
Após ficarem acordados até muito tarde, tanto as crianças como os adultos necessitam de um período de sono profundo para recuperarem. Esta fase de recuperação é caracterizada por um aumento de um padrão elétrico chamado atividade de ondas lentas, que pode ser medida através de uma técnica não invasiva, o eletroencefalograma. Este método também deteta que regiões cerebrais apresentam maior atividade de ondas lentas.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Zurique, na Suíça, Universidade Colorado Boulder e da Universidade de Brown, ambas nos EUA, decidiram analisar os efeitos de 50% de privação de sono num grupo de 13 crianças com idades compreendidas entre os cinco e os 12 anos. 
 
Os investigadores começaram por medir os padrões de sono profundo nas crianças durante uma noite normal de sono. Esta medição foi novamente realizada numa outra noite em que as crianças tinham sido mantidas acordadas bem para lá da sua hora habitual de deitar. 
 
Após terem dormido metade das horas habituais, as crianças apresentaram uma maior atividade de ondas lentas nas regiões posteriores do cérebro, as áreas parieto-occipitais. Estes resultados sugerem que os circuitos cerebrais nestas regiões podem ser particularmente suscetíveis à falta de sono.
 
Estes achados contrastam com o que se conhece sobre os efeitos da privação do sono nos adultos, onde o efeito é tipicamente concentrado na região frontal do cérebro.
 
Os cientistas também mediram como esta atividade de sono profundo estava associada à quantidade de mielina no cérebro. A mielina é uma microestrutura lipídica da substância branca do cérebro que permite que a informação elétrica entre as células do cérebro seja transmitida mais rapidamente. Esta substância pode ser medida através de uma ressonância magnética específica.
 
O estudo apurou que o efeito da restrição do sono no cérebro é específico de determinadas regiões do cérebro e que tal está relacionado com a quantidade de mielina das regiões adjacentes, quanto maior é a quantidade de mielina numa área específica mais o efeito é similar ao que ocorre nos adultos.
 
Salome Kurth, uma das autoras do estudo, refere que é possível que este efeito seja temporário e só ocorra durante um período sensível quando o cérebro é submetido a alterações do desenvolvimento.
 
Os investigadores concluíram que é necessária uma análise mais profunda antes de serem tiradas conclusões sobre como a privação de sono afeta os processos iniciais de desenvolvimento do cérebro a longo prazo. Para já estes resultados sugerem que ir para a cama muito tarde pode ter um impacto diferente no cérebro das crianças e dos adultos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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