Privação de sono pode aumentar risco cardiovascular

Estudo publicado na revista “Hypertension”

22 junho 2016
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Os processos involuntários podem não funcionar corretamente nos indivíduos que trabalham por turno e noutras pessoas com privação de sono crónica, podendo conduzir ao aumento do risco da doença cardiovascular, sugere um estudo publicado na revista “Hypertension”. 
 
De forma a determinar o impacto dos distúrbios do ritmo circadiano na função cardiovascular em indivíduos privados de sono, os investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA, estudaram 26 indivíduos saudáveis entre os 20 e 29 anos. O sono dos participantes foi restringido a cinco horas por noite durante oito dias, sendo a hora de dormir fixa ou atrasada em oito horas e meia em quatro dos oito dias.
 
O estudo apurou que, comparativamente com a restrição do sono sem atraso na hora de deitar, a restrição do sono combinada com o atraso na hora de deitar estava associada a um aumento da frequência cardíaca durante o dia para ambos os grupos. Este efeito foi agravado na noite em que a restrição do sono foi combinada com atraso na hora de deitar.
 
Os investigadores verificaram também que havia uma redução da variabilidade da frequência cardíaca à noite, um aumento da excreção da norepinefrina nos indivíduos com restrição do sono e, nos grupos que atrasaram a hora de dormir, uma redução da atividade vagal associada a variabilidade da frequência cardíaca durante as fases do sono mais profundas (estas fases têm um efeito reparador na função cardiovascular nos indivíduos normais).
 
A norepinefrina é uma hormona do stress que pode constringir os vasos sanguíneos, aumentar a pressão arterial e expandir a traqueia. O efeito principal do nervo vagal no coração é a diminuição da frequência cardíaca. 
 
Daniela Grimaldi, a líder do estudo, explica que nos humanos, como em todos os mamíferos, a maioria dos processos biológicos e comportamentais, particularmente o ciclo de sono-vigília, seguem o ritmo circadiano, que é regulado por um relógio interno localizado no cérebro. Quando os ciclos de sono-vigília não estão em sintonia com os ritmos que ditam o relógio interno, ocorre um desalinhamento circadiano. 
 
A privação de sono é particularmente comum nos trabalhadores por turnos, que representam cerca de 15 a 30% da população trabalhadora dos países industrializados. Os resultados deste estudo sugerem que os indivíduos que trabalham por turnos, que estão constantemente expostos ao desalinhamento circadiano, podem não beneficiar completamente dos efeitos cardiovasculares do sono durante a noite após a rotação do turno.
 
Uma vez que o trabalho por turnos não é algo que pode ser evitado, os investigadores sugerem medidas para contrariar os seus feitos e que incluem a adoção de uma dieta saudável, a prática regular de exercício e dormir mais horas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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