Privação de sono diminui concentração dos médicos

Estudo publicado numa edição da “Acta Médica Portuguesa”

22 setembro 2015
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A privação de sono nos médicos está diretamente associada a uma diminuição da atenção e concentração e a um atraso na resposta a estímulos, defende o primeiro estudo realizado em Portugal.
 
O estudo avaliou 18 jovens médicos, com idades entre os 26 e os 33 anos, divididos em dois grupos: um que não realizava trabalho noturno e outro com privação de sono – no mínimo 12 horas de trabalho noturno por semana.
 
“O nosso objetivo foi avaliar os efeitos da privação de sono nos médicos que faziam trabalho noturno, através da aplicação de testes práticos que avaliavam a capacidade de concentração e de resposta a estímulos”, disse à agência Lusa uma das autora do estudo, Inês Sanches.
 
O estudo apurou que os médicos que faziam trabalho noturno apresentavam défices de concentração e, nos testes de avaliação a estímulos, demonstraram pior desempenho, cometendo mais erros e demorando mais tempo a dar respostas.
 
“O grupo com privação do sono tinha mais limitações”, disse Inês Sanches, admitindo que a falta de horas de sono pode comprometer o atendimento aos doentes, bem como a saúde e a qualidade de vida do próprio médico.
 
Em todos os testes, o grupo de médicos que menos dormiu mostrou menor sentido de orientação, menor reação a estímulos e reduzida capacidade de concentração.
 
Os efeitos na privação do sono podem ter impacto também nos médicos que necessitam de gestos mais técnicos, como os cirurgiões, uma vez que a capacidade psicomotora também se mostra mais diminuída em quem realiza trabalho noturno.
 
Inês Sanches, pneumologista no Hospital Geral do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, está consciente de que haverá sempre necessidade de ter médicos a trabalhar durante a noite, mas alerta que é necessário discutir e refletir sobre os efeitos da privação do sono no trabalho médico.
 
Ajustes nos horários, maior rotação nos turnos e descansos compensatórios são algumas das soluções para evitar a privação de sono nos médicos, propõe a investigadora, lembrando que atualmente são exigidos cada vez mais turnos suplementares de trabalho – nomeadamente turnos de 24 horas sem direito ao descanso, continuando a jornada laboral no dia seguinte.
 
Inês Sanches conclui que há a tendência para "ver os médicos como máquinas quando, na verdade, são humanos".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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