Privação de sono aumenta obesidade e adiposidade na infância

Estudo publicado na revista “Pediatrics”

21 maio 2014
  |  Partilhar:

As crianças que não dormem consistentemente as horas necessárias apresentam obesidade e adiposidade aumentadas aos sete anos de idade, dá conta um estudo publicado na revista “Pediatrics”.
 

Apesar de vários estudos já terem sugerido que há uma associação entre o sono e a obesidade infantil, poucos foram aqueles que analisaram a constante privação do sono ao longo do tempo, ou que utilizaram medidas para além do índice de massa corporal (IMC).
 

Neste estudo, os investigadores do Hospital Pediátrico MassGeneral, nos EUA, recolheram informação junto das mães das crianças quando estas tinham seis meses, e anualmente até aos sete anos de idade.
 

As mães foram questionadas sobre o número de horas que as crianças dormiam, tanto à noite como durante as sestas. Aos sete anos de idade, as crianças foram submetidas a várias medições: altura, peso, gordura total, gordura abdominal, massa magra, perímetro da cintura e perímetro da anca.
 

As horas de sono foram consideradas insuficientes no caso das crianças entre os seis meses e os dois anos dormirem menos de 12 horas, entre os três e os quatro dormirem menos de 10 horas e entre os cinco e os sete anos dormirem menos de 9 horas. Com base nas informações dadas pelas mães, ao longo de todas as etapas de crescimento das crianças, o sono destas foi classificado entre zero (nível mais elevado de privação de horas de sono) e 13 (nenhum relato de privação de sono).
 

O estudo apurou que as crianças com as classificações de sono mais baixas apresentaram os níveis mais elevados das medições corporais que refletiam a obesidade e a adiposidade, incluindo a gordura abdominal que é considerada especialmente perigosa. Esta associação foi consistente em todas as idades, o que indica que não há um período crítico específico para a interação entre o sono e o peso.
 

Os investigadores constataram que as classificações de sono mais baixas foram mais comuns entre as crianças cujas famílias tinham rendimentos mais baixos, educação materna mais baixa e entre as minorias raciais e étnicas. Contudo, a associação entre o sono e a obesidade/adiposidade não foi alterada após os investigadores terem tido em conta estes e outros fatores.
 

Apesar de serem necessários mais estudos de forma a compreender melhor como a duração do sono afeta a composição do organismo, os investigadores apontam alguns potenciais mecanismos incluindo a influência do sono nas hormonas que controlam a fome e saciedade.
 

Os autores do estudo aconselham os médicos a ensinarem os pacientes mais novos e os seus pais a adotarem medidas que poderão melhorar a qualidade do sono incluindo uma hora de deitar consistente, limitação de ingestão de bebidas com cafeína no final do dia e ausência de aparelhos de alta tecnologia no quarto.
 

“Todas estas medidas ajudam a promover bons hábitos de sono, o que também pode aumentar o estado de alerta na escola ou trabalho, melhorar o humor e aumentar a qualidade de vida na sua totalidade”, conclui na líder do estudo, Elsie Taveras.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.