Privação de sono associada a má alimentação

Estudo conduzido pela University of California Berkeley, EUA

29 agosto 2013
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Uma equipa de investigadores descobriu que a falta de sono pode causar alterações no cérebro que levam o indivíduo a pensar que está com fome e a ter desejo por alimentos altamente calóricos.

 

Conduzido pela University of Berkeley, California, EUA, a equipa observou os cérebros de 23 jovens adultos saudáveis através de ressonâncias magnéticas. Os investigadores analisaram os cérebros dos participantes, primeiro após uma noite de sono e depois após uma noite passada em “claro”.

 

Os investigadores descobriram que, quando privadas de sono, as pessoas exibiam perturbações nas regiões do córtex frontal do cérebro, que avaliam a saciedade, e as zonas associadas aos desejos irresistíveis tinham sido fortemente estimuladas. Os participantes demonstravam igualmente preferência por alimentos pouco saudáveis e pela chamada “comida de plástico”.

 

Mathew Walker, professor de psicologia e de neurociência na University of Berkeley California e autor principal do estudo, explica que “o que descobrimos é que as regiões do cérebro necessárias para efetuar avaliações e decisões complexas ficam diminuídas com a falta de sono, enquanto as estruturas cerebrais mais básicas que controlam a motivação e os desejos ficam amplificadas”.

 

Neste estudo, que foi publicado na “Nature Communications”, os participantes foram convidados a visualizar uma série de 80 imagens com diversos tipos de alimentos que variavam entre o muito saudável até ao nada saudável e o muito pouco calórico até altamente calórico, tendo depois que avaliar o seu desejo por cada um desses alimentos. Para os incentivar foram-lhes oferecidos os alimentos que mais desejavam após terem sido submetidos à ressonância magnética. Hambúrgueres, pizzas e donuts foram os alimentos mais desejados após os participantes terem passado a noite sem dormir.

 

Segundo o autor principal do estudo, “os alimentos altamente calóricos tornaram-se significativamente mais desejáveis quando os participantes ficaram privados de sono. Esta combinação de atividade cerebral e de capacidade de decisão alterada poderá ajudar a explicar a razão pela qual as pessoas que dormem menos tendem também a ter peso a mais ou a serem obesas”.

 

Estudos anteriores tinham já estabelecido associações entre a falta de sono e um maior apetite, especialmente por alimentos mais salgados ou açucarados. No entanto, este estudo aponta para um mecanismo cerebral específico que explica a razão pela qual a escolha de alimentos piora após uma noite sem dormir.

 

No entanto, o autor sublinha que esta descoberta significa que “dormir o suficiente constitui um fator que pode ajudar a promover o controlo do peso através da regulação dos mecanismos do cérebro responsáveis pelas decisões apropriadas de alimentos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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