Privação de sono afeta o sistema imunitário tal como o stress

Estudo publicado na “SLEEP”

05 julho 2012
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A privação de sono afeta o sistema imunitário da mesma forma que o stress físico, sugere um estudo publicado na revista científica “SLEEP”.

 

Estudos anteriores já tinham constatado que a restrição e a privação de sono estavam associadas ao desenvolvimento de doenças como a obesidade, diabetes e hipertensão. Foi também verificado que o sono ajuda no bom funcionamento do sistema imunitário e que a privação de sono crónica é um fator de risco para a debilitação do sistema imunitário.

 

Neste estudo, os investigadores da Erasmus MC University Medical Center Rotterdam, na Holanda e da University of Surrey, Reino Unido, avaliaram o número de um tipo específico de células imunitárias, os leucócitos, de 15 indivíduos saudáveis que foram submetidos a horas de sono normais e posteriormente a um longo período de privação de sono.

 

Assim, numa primeira fase, os participantes foram sujeitos a um horário restrito de oito horas diárias de sono durante uma semana. Os indivíduos foram expostos a pelo menos 15 minutos de luz exterior nos primeiros 90 minutos de vigília sendo também impedidos de ingerir cafeína, álcool ou medicação durante os últimos três dias. Todas estas medidas foram desenhadas para estabilizar os seus relógios circadianos e minimizar a privação de sono antes de serem submetidos a uma restrição de sono intensiva.

 

Posteriormente, os investigadores compararam os níveis dos leucócitos dos participantes durante os seus ciclos de sono e vigília normais com os encontrados na segunda parte da experiência, onde os participantes permaneceram, durante 29 horas, em vigília contínua.

 

Os investigadores verificaram que o maior impacto da privação de sono foi num tipo de leucócitos, os granulócitos, os quais apresentaram uma perda de ritmicidade do dia e noite, juntamente com o aumento dos seus níveis, particularmente durante a noite.

 

“Os granulócitos reagiram imediatamente ao stress físico da privação de sono, refletindo a resposta do organismo ao stress”, revelou, em comunicado de imprensa, a autora principal do estudo, Katrin Ackerman.

 

A investigadora acrescenta ainda que “estudos futuros poderão ajudar a conhecer os mecanismos responsáveis pela resposta imediata ao stress e descrever o seu papel no desenvolvimento de doenças associadas à privação de sono crónica. Caso estes dados se confirmem poderão ter implicações na prática clínica e nas profissões que requerem longos períodos de privação de sono".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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