Priões de leveduras criados em laboratório capazes de infectar leveduras normais
28 julho 2000
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Na revista Science de 28 de Julho, voltam a surgir provas em favor da hipótese da existência de priões- proteínas capazes de infectar e causar doenças como a BSE ou Doença das Vacas Loucas.
 

 

Até aqui, tinha sido difícil criar in vitro (em laboratório) priões com capacidade de infectar. Estas partículas podem ser isoladas de orgãos doentes num estado ainda infectante mas a transformação in vitro de uma proteína normal num prião capaz de infectar uma célula ou organismo ainda não tinha sido conseguida.
 

 

Investigadores da Universidade da California em San Francisco, liderados pelo laboratório do Dr. Jonathan Weissman, utilizaram estirpes de leveduras com determinados traços genéticos para demostrarem que priões produzidos in vitro, através de sistemas de tradução de proteínas, introduzidos em liposomas, podem infectar leveduras e que estas leveduras infectadas podem transmitir a doença a leveduras filhas.
 

 

A hipótese dos priões prevê que proteinas modificadas (priões) podem provocar alterações conformacionais noutras proteínas que são auto-propagáveis (o que causa doença).
 

 

Esta descoberta, num laboratório onde tive oportunidade de entrevistar aquando da minha procura de um lugar de pós-doutoramento, é muito importante porque demonstra pela primeira vez a infecciosidade de priões duma maneira mais controlada, isto é, sem alguns dos problemas levantados pela utilização de material vivo infectado e representa uma descoberta muito importante.
 

 

No entanto, a baixa eficiência do processo de infecção verificado neste trabalho (2%), leva os autores a acreditarem na existência de um outro elemento potenciador do processo de transformação de proteínas normais em priões, nomeadamente de moléculas ou complexos de moléculas que auxiliam a alteração da forma das proteínas ("chaperones"). Este tipo de moléculas são muito importantes na fisiologia normal das células ao assegurarem que as proteínas produzidas de novo adoptam a forma tridimensional correcta.
 

 

Fonte: Science 2000; 289: 556-557, 595-599.
 

 

Doutor M. Jorge Guimarães
 

MNI - Médicos Na Internet

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