Primeiro parto após enxerto de tecidos congelados dos ovários

Técnica usada por ginecologistas belgas

29 setembro 2004
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Uma mulher que recebeu um transplante de tecidos congelados dos seus ovários deu à luz um bebé, o que aconteceu pela primeira vez, anunciam na semana passada ginecologistas belgas na revista médica britânica The Lancet.A mãe, uma belga de 32 anos que fora submetida a uma quimioterapia anti-cancerosa, deu nascimento a uma menina de 3,72 quilogramas, de boa saúde, precisa a revista. O parto ocorreu na quinta-feira, dia 23 de Setembro, nas Clínicas Universitárias de Saint-Luc, em Bruxelas.É «o primeiro caso de nascimento vivo» após o êxito do enxerto de um fragmento dos ovários previamente retirado à paciente e congelado antes de ela ser submetida à quimioterapia, segundo um procedimento chamado «autotransplante ortotópico (na cavidade pélvica) de tecidos ováricos criopreservados», refere a revista.Na perspectiva do principal autor do artigo, o professor Jacques Donnez, da Universidade Católica de Lovaina, este resultado «abre novas perspectivas às pacientes cancerosas jovens confrontadas com insuficiência ovárica precoce» ou menopausa precoce induzida pela quimioterapia ou a radioterapia, sem esperança de engravidar.A mulher em causa conseguiu ser mãe sete anos após ter acautelado o seu tecido ovárico, antes de iniciar o tratamento da sua doença de Hodgkin, uma variedade de linfoma. Apesar de ter ficado estéril devido à terapia anticancerosa, pôde voltar a ter ciclos menstruais com ovulação cinco meses depois do transplante, e ficou grávida por fecundação natural onze meses depois do auto-enxerto.Em Março passado, especialistas norte-americanos relataram na mesma revista um procedimento semelhante com uma mulher de 30 anos que ficara estéril depois de submetida a uma quimioterapia para cancro da mama.No entanto, recorreram nesse caso à fecundação «in vitro» e à transferência de um embrião sem obter gravidez. A quimioterapia e a radioterapia podem alterar a fertilidade dos cancerosos, tanto mulheres como homens. Mas estes, se o desejarem, podem planear uma paternidade posterior ao congelarem o seu esperma antes de se submeterem a tratamento. No caso das mulheres, a congelação dos ovócitos, cuja recolha requer tratamentos hormonais frequentemente incompatíveis com o cancro, está longe de ser uma alternativa possível.Fonte: Lusa

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