Prevenir o cancro do esófago através de terapia por calor

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

01 junho 2009
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A terapia por calor é um tratamento eficaz para os indivíduos que sofrem de esófago de Barret, uma condição que pode conduzir ao desenvolvimento de cancro gastrointestinal, revela um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

 

O esófago de Barrett é uma condição em que há um repetido refluxo ácido que faz com que as células que normalmente constituem o esófago sejam substituídas por um tipo diferente de células, semelhantes às encontradas geralmente no intestino. O esófago de Barrett, por si só, não representa um problema de risco de vida, mas uma pequena percentagem de pessoas com esta condição poderá desenvolver uma forma mortal do cancro, o adenocarcinoma do esófago.

 

O estudo realizado na University of North Carolina, nos EUA, contou com a participação de 127 indivíduos que foram tratados, uns, por ablação por radiofrequência (RFA), um procedimento não invasivo que utiliza o calor como forma de destruição das células, outros, através de uma versão simulada desse procedimento. A RFA foi utilizada com o objectivo de estudar o seu efeito na displasia, um estado mais avançado do esófago de Barret, no qual as células adquirem características pré-cancerosas.

 

Entre os indivíduos que tinham displasia de baixo grau, os investigadores observaram que 90,5 % dos que receberam o tratamento com RFA não tinham sinais de displasia 12 meses após o tratamento, enquanto só 22,7 % dos que tinham recebido a versão “simulada” se encontravam na mesma situação. Por outro lado, o tratamento com RFA conseguiu erradicar as células anormais em 81 % dos pacientes que tinham displasia de elevado grau; apenas19 % dos participantes que foram tratados com a versão “simulada” alcançaram esse mesmo resultado.

 

No total, o estudo revelou que em 77,4 % dos pacientes tratados com RFA houve uma completa eliminação de células anormais; isso só aconteceu em 2,3 % dos indivíduos que foram objecto da versão “simulada” do tratamento. Também se verificou que houve menos progressão da doença nos indivíduos tratados com RFA: 3,6 % contra 16,3 %. Por outro lado, houve mais pacientes que desenvolveram adenocarcinoma do esófago no grupo que foi sujeito à versão “simulada” do procedimento: 9,3% contra 1,2 %.

 

O estudo demonstrou claramente que o uso da RFA é eficaz na erradicação da displasia e que as alterações reduzem o risco de progressão da doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

 

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