Prevenção oncológica: um elo fraco

Declarações do presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro/Norte

24 novembro 2014
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A prevenção oncológica continua a ser “um elo muito frágil” e grande parte dos cancros no nosso país continuam a ser detetados tardiamente, defende o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC)/Norte.
 

Em declarações à Lusa, Vítor Veloso defendeu a necessidade de o Estado adotar medidas “urgentes e adequadas” no campo da prevenção primária e secundária.

 

“É necessário que o estado compreenda que embora este tipo de prevenção seja, sob o ponto de vista económico, um pouco pesado inicialmente, esse investimento tem a médio prazo (5-10 anos) uma compensação muito grande em termos económicos, porque é totalmente diferente tratar um doente com cancro inicial do que tratar um doente com cancro avançado”, disse.

 

Relativamente aos resultados dos rastreios de base populacional (prevenção secundária) realizados em Portugal (cancro da mama, cancro do colo do útero e cancro colorretal), Vítor Veloso referiu que em relação ao cancro do colo do útero, “no norte e sul esse rastreio praticamente não funciona, na medida em que são rastreios que não têm estrutura, qualidade e, nesse sentido, ainda não são, de maneira nenhuma, consequentes. O mesmo sucede em relação ao cancro do colon e reto”.

 

No que se refere ao rastreio do cancro da mama, realizado pela LPCC, Vítor Veloso afirmou que “no centro está praticamente concluído e, no norte, cerca de 80% da população já está coberta”.
 

“Esperamos que no próximo ano tenhamos já a população de todo o norte também completamente rastreada. No sul há grandes áreas que não estão cobertas, não por culpa da liga, mas por culpa de outras situações que correspondem muitas vezes a interesses instalados”, acrescentou.
 

De acordo com a LPCC, os hábitos como o álcool e o tabaco, a sedentarização, uma má alimentação e obesidade e o mau uso do sol agravam o risco de cancro. Se estes comportamentos fossem evitados conseguia-se evitar o cancro em 80% dos casos.
 

Assim, Vítor Veloso insiste na necessidade de “implementar planos de educação estruturados nas escolas e na comunidade em geral de estilos de vida saudáveis. Informar a população e sensibilizá-las para os comportamentos de risco. Depois deste primeiro grande passo, deveriam criar-se estruturas que permitissem um rastreio abrangente, dirigido e de diagnóstico precoce da doença”.
 

Segundo a LPCC, em Portugal são diagnosticados anualmente 55 mil novos casos de cancro, tendo aumentando gradualmente nos últimos anos. A taxa de sobrevivência dos doentes ronda os 55% (doença controlada há pelo menos 10 anos). É já considerado o principal problema de saúde pública, sendo cada vez mais encarado como uma doença crónica.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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