Prevenção da Sida: campanhas são pouco esclarecedoras

Estudo da Universidade de Aveiro

12 junho 2015
  |  Partilhar:

Um estudo da Universidade de Aveiro (UA) defende que a maioria das campanhas publicitárias de prevenção da Sida não passa um discurso esclarecedor e promove até mensagens incorretas.


O estudo analisou o discurso de 81 campanhas realizadas em Portugal, Brasil, Angola e Moçambique, entre 2000 e 2010. A autora do estudo, Ana Frias, revelou à agência Lusa que “a maioria das campanhas esclarece pouco sobre o VIH/Sida enquanto infeção sexualmente transmissível, não especificando, por exemplo, modos de prevenção e as vias de transmissão".


"Em muitas das campanhas surge apenas um logótipo que permite levar as pessoas a pensar que se está a abordar o VIH/Sida, mas a informação nem sempre é clara", diz a investigadora.


Igualmente preocupantes são "as mensagens vagas ou incorretas" veiculadas em algumas das campanhas. Ana Frias refere o caso de duas campanhas moçambicanas que, procurando alcançar a problemática da poligamia em África, dizem que "fazer parte de uma rede sexual é o mesmo que todos terem relações sexuais uns com os outros".


Por outro lado, as campanhas parecem não incluir alguns públicos que também merecem investimento, como as pessoas envelhecidas.


Patente nos 81 'spots' publicitários oriundos daqueles quatro países, "o preservativo masculino surge como ‘protagonista' central da prevenção do VIH/Sida".


"As campanhas que promovem o uso do preservativo jamais concebem a possibilidade de outras práticas sexuais que não as convencionais, descurando, por exemplo, o sexo oral, nunca sequer insinuado nestes discursos", refere a enfermeira no Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC).


No sentido contrário, a investigadora encontrou também campanhas que "demonstram claramente indícios de querer veicular informações relevantes sobre a problemática, bem como a preocupação em omitir estereótipos de sexualidade e de género, a promoção de valores e a abrangência de diversos públicos".


O 'spot' publicitário português "5 razões para não usar preservativo" é exemplo disso, indicou Ana Frias, lembrando que este anúncio governamental foi premiado a nível internacional e "distingue-se também pela promoção do preservativo enquanto parte integrante da sexualidade humana".


Ana Frias lamentou ainda o desinvestimento que tem havido na promoção de campanhas de prevenção da SIDA em Portugal, nos últimos anos.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.