Prevalência da doença celíaca a nível nacional

Estudo da Universidade do Minho

20 janeiro 2016
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Investigadores da Universidade do Minho estão a realizar um estudo sobre a prevalência da doença celíaca a nível nacional, com testes a adolescentes nos estabelecimentos de ensino, já que esses dados são desconhecidos.

 
O estudo, coordenado pela investigadora Henedina Santos, da Escola de Ciências e Saúde da Universidade do Minho, que será realizado em adolescentes de 13 e 14 anos através de uma análise sanguínea, tem como objetivo demonstrar a prevalência da doença celíaca em Portugal continental e nos arquipélagos da Madeira e dos Açores.
 
“A prevalência da doença celíaca em Portugal é desconhecida. O único trabalho em população portuguesa é um estudo de Braga, que já tem alguns anos e que deu um predomínio de um doente para 134 adolescentes sem doença, que foi feito em jovens de 14 anos”, disse Henedina Santos à agência Lusa.
 
A investigadora e coordenadora da unidade de gastroenterologia pediátrica do Hospital de Braga revelou que esse primeiro estudo que abrangeu apenas Braga está a ser replicado a nível nacional, tendo sido incluídos também adolescentes com 13 anos.
O estudo anterior revelou que, no Minho, a incidência (os casos diagnosticados) é de 5,2 por 100 mil habitantes abaixo dos 18 anos e que a prevalência da doença é de um em cada 134.
 
“O Minho é uma das regiões com mais proatividade em termos de diagnóstico, provavelmente haverá regiões com dificuldades em fazer o diagnóstico”, disse a investigadora.
 
A especialista alertou que, “quanto mais se fala de doença celíaca, mais se diagnostica, porque é mesmo uma doença que tem muitos sintomas e que abrange muitas especialidades".
 
Henedina Santos sublinhou que a importância deste estudo prende-se também com a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), lembrando que, desde 2012, a análise sanguínea anti-transglutaminase é comparticipada pelo Estado e custa sete euros, contra os mais de 50 que custava anteriormente.
 
"Um tratamento de infertilidade, que a doença celíaca pode provocar, é de quatro mil euros. Até em termos de sustentabilidade do SNS, vale a pena fazer diagnóstico de celíacos, para além da qualidade de vida que se está a dar ao doente, que muitas vezes se sente infeliz e tem dores de barriga e acha normal viver assim, pois não está diagnosticado”, referiu.
 
Estima-se que existam em Portugal entre 70 a 100 mil casos, ou seja, uma a três por cento da população nacional, sendo que só existem 10 mil casos diagnosticados o que significa que muitos podem desconhecer ter a doença celíaca e estar a ser, inclusive, tratados para outras patologias.
A doença celíaca é uma doença autoimune crónica, que afeta indivíduos com predisposição genética, causada pela permanente sensibilidade ao glúten, que, ao ser ingerido, provoca lesões na mucosa do intestino e origina uma diminuição da capacidade de absorção dos nutrientes.
 
O único tratamento para a doença celíaca – que normalmente surge entre os seis e os 20 meses, mas também pode aparecer em adultos – é uma dieta isenta de glúten, proteína que está presente nos principais cereais, como trigo, centeio, aveia e cevada e seus derivados. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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