Pressão dos pais em relação ao sucesso académico prejudica pré-adolescentes

Estudo publicado no “Journal of Youth and Adolescence”

14 dezembro 2016
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Pais que colocam demasiada pressão sobre os filhos para serem bem-sucedidos nas suas atividades académicas e extracurriculares em detrimento do desenvolvimento de competências sociais e compaixão podem comprometer sucesso e integração dos filhos mais tarde na vida, revela um estudo publicado na revista científica “Journal of Youth and Adolescence”.
 
A investigação, levada a cabo pela Universidade do Estado do Arizona, nos EUA, analisou a perceção de 506 alunos do sexto ano de escolaridade em relação à perceção que estes tinham sobre os valores dos pais. Os participantes foram solicitados a ordenar as três coisas principais, de entre um total de seis, que os pais valorizavam para os seus filhos. Três valores eram relativos ao sucesso pessoal (como, por exemplo, boas notas ou uma carreira de sucesso no futuro) e os outros três eram relativos a bondade e educação em relação aos outros.
 
Os cientistas, liderados por Suniya Luthar, analisaram os padrões subjacentes às respostas das crianças e comparam-nos com o desempenho escolar das mesmas, assim como com as suas ações, avaliadas através de uma pontuação, e comportamento nas aulas.
 
Os resultados desta análise demonstraram que a perceção de ênfase dos pais sobre o sucesso pessoal em relação à bondade para com os outros desempenhou um papel importante no ajustamento pessoal e desempenho escolar das crianças, assim como a perceção de uma atitude crítica por parte dos pais.
 
De acordo com os investigadores, em nota divulgada pela instituição norte-americana, os melhores resultados foram associados a crianças que percecionaram que a ênfase dos pais incidia mais sobre a bondade para com os outros do que sobre o sucesso académico e extracurricular. Os piores resultados foram associados a crianças que percecionaram que tanto o pai ou a mãe valorizavam mais os seus sucessos académicos e extracurriculares do que a bondade demonstrada para com os outros. Segundo o estudo, estes jovens eram mais propensos a depressão ou ansiedade, assim como a problemas de comportamento, dificuldade de aprendizagem e baixa autoestima.
 
Contudo, o mais surpreendente para os cientistas, revela Lucia Cicciolla, co-autora do estudo, da Universidade do Oklahoma, nos EUA, foi a forte relação entre o desempenho psicológico e académico das crianças e aquilo que estas acreditavam ser mais importante para os seus pais. Independentemente se era um ou os dois progenitores que valorizavam mais o sucesso pessoal em detrimento da bondade para com os outros, uma enfase desproporcional no sucesso pessoal por parte de qualquer um dos pais revelou-se pernicioso.
 
No entanto, aquelas crianças que acreditavam que os pais valorizavam os princípios de bondade em relação ao sucesso académico não pareceram ter menos sucesso na escola, bem pelo contrário. 
 
“Parece que enfatizar a bondade como principal prioridade poderá não retirar destaque ao sucesso escolar, visto que descobrimos que estas crianças apresentaram um bom desempenho em todas a vertentes, incluindo na académica”, explica Ciciolla. “Contudo, quando as crianças acreditavam que os seus pais se importavam mais com o sucesso escolar, possivelmente relacionado com a forma como os pais comunicaram esta mensagem e se esta foi entendida em tom de crítica, apresentavam pior desempenho em geral”, acrescentou.
 
De acordo com a investigadora, o segredo parece estar no equilíbrio e não colocar demasiada pressão sobre as crianças para atingirem o sucesso às custas de uma relação menos próxima com os outros. E alerta ainda para o tom com que as expectativas são comunicadas, uma vez que “por vezes, aquilo que podemos pensar ser encorajamento para fazer melhor é entendido pelos nossos filhos como uma crítica por não se ser ‘suficientemente bom’ segundo os padrões dos pais”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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