Pressão arterial sistólica e diastólica elevada e os diferentes riscos cardiovasculares

Estudo publicado na revista “The Lancet”

03 junho 2014
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A pressão arterial sistólica e diastólica elevadas podem ter efeitos distintos em diferentes doenças cardiovasculares e em idades diferentes, defende um estudo publicado na revista “The Lancet”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto Farr, no Reino Unido, sugere que os indivíduos com pressão sistólica elevada têm um risco maior de hemorragia intracerebral, hemorragia subaracnoideia, a forma mais mortal do acidente vascular cerebral, e angina estável. Por outro lado, a pressão diastólica aumentada é um indicador de risco de aneurisma da aorta abdominal.
 

De acordo com a líder do estudo, Eleni Rapsomaniki, estes resultados não apoiam a crença generalizada que a pressão sistólica e diastólica tem associações similares com a ocorrência de todas as doenças cardiovasculares, numa vasta gama de idades.
 

Neste estudo os investigadores analisaram a pressão arterial de 1,25 milhões de pacientes com doença cardiovascular, com 30 ou mais anos de idade, que foram acompanhadas ao longo de uma média de 5,2 anos. Também foi calculado risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares específicas associadas com a pressão arterial elevada entre os 30 e os 80 anos.
 

O estudo apurou que apesar da terapia moderna, a hipertensão ainda tem um peso considerável ao longo da vida das pessoas. Para um indivíduo de 30 anos com hipertensão, o risco de, ao longo da vida, desenvolver uma doença cardiovascular é de 63% comparativamente com um indivíduos com pressão arterial saudável, desenvolvendo também doença cardiovascular cinco anos antes.
 

O estudo também sugere que esta antecipação do desenvolvimento de doenças cardiovasculares aos 30 anos é despoletada, em metade dos casos, pela angina estável e instável. Aos 80 anos, a insuficiência cardíaca contribui para a antecipação de um quinto dos casos.
 

“Com estes riscos tão elevados é importante encontrar novas formas de diminuir a pressão arterial. As nossas estimativas fornecem uma informação vital que pode ser utilizada para melhorar os conselhos e as tomadas de decisão dos indivíduos hipertensos, que são atualmente baseados no risco de enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral”, revelou, em comunicado de imprensa, Eleni Rapsomaniki.
 

Um dos investigadores do instituto Karolinska, em Estocolomo, Thomas Kahan, acrescentou que apesar dos tratamento com os anti-hipertensores ser indiscutível, os estudos observacionais sugerem que poucos são os pacientes que atingem uma pressão arterial desejada.
 

Neste sentido é necessário tomar várias medidas para melhorar o tratamento destes pacientes, nomeadamente, avaliação do risco cardiovascular global do paciente, melhorar os cuidados, suporte e educação, aumentar a adesão ao tratamento, monitorizar a pressão arterial em casa e remeter os pacientes com hipertensão não controlada para um centro médico de referência na área.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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