Preservação do sangue do cordão umbilical não é justificável

Defende o Instituto Português do Sangue e da Transplantação

02 janeiro 2013
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A recolha e preservação do sangue do cordão umbilical (SCU) para uso futuro não se justificam à luz dos atuais conhecimentos científicos, defende o Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

 

Numa nota publicada no site do Instituto Português do Sangue, ao qual a agência Lusa teve acesso, o organismo lembra que a “probabilidade de uma criança vir a ter uma anemia aplástica grave (…) parece muito baixa (<1 para 50.000) para justificar a conservação de SCU para utilização pelo próprio”.

 

“Sendo uma opção de caráter familiar e privada, o IPST esclarece que o potencial benéfico, para o próprio ou um irmão(ã) é, na verdade, no momento atual, quase residual e geralmente inexistente”, diz a nota.

 

Por outro lado, o organismo refere que há duas objeções éticas a ter em conta: “o aproveitamento de uma maior sensibilidade emocional dos pais da criança, que legitimamente quererão o melhor para o seu filho, e a desigualdade de acesso condicionada pelas condições económicas das famílias”.

 

Deste modo o IPST recomenda as famílias procurem uma segunda opinião junto de especialistas conhecedores da problemática.

 

O IPST refere que a principal motivação para uma família optar pela conservação do SCU é a “noção de que está a oferecer à criança um ‘seguro biológico’ para o caso de surgir uma doença com indicação para transplante hematopoiético autólogo.

 

“Em relação ao potencial de utilização noutras áreas, nomeadamente na chamada medicina regenerativa, poderão surgir utilizações no futuro nomeadamente em cardiologia, neurologia e diabetes. Trata-se, no entanto, de hipóteses por enquanto especulativas, que, no estado atual dos conhecimentos, não justificam a criopreservação autóloga de SCU para utilização na idade adulta”, defende o IPST.

 

No entanto, dada a evolução que se tem verificado na terapia celular, “ainda não substanciada em resultados clínicos favoráveis”, será necessária uma revisão regular desta matéria.

 

“Importa pois considerar o rigor da informação fornecida pelos bancos privados aos futuros pais e, na medida do possível, avaliar o grau de compreensão dos mesmos relativamente a essa informação. As famílias são aconselhadas a ponderarem a publicidade que é feita e são alertadas para o risco de publicidade enganosa que as autoridades perseguem”, aconselha o organismo.

 

Na opinião do IPST, é difícil justificar este tipo de procedimentos por parte dos bancos privados tendo em conta os preços atualmente praticados e a relação custo/benefício.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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