Presença de animais diminui ansiedade social em crianças autistas

Conclusões de estudo publicadas na “Developmental Psychobiology”

22 maio 2015
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A presença de animais de companhia pode ajudar a diminuir a ansiedade social em crianças com autismo, revela um estudo internacional levado a cabo pela Universidade do Indiana (EUA) e pela Universidade de Queensland (Austrália).
 
Estudos anteriores haviam já sugerido que crianças com doenças do espectro do autismo funcionavam melhor socialmente na presença de animais de companhia, como cães, gatos ou porquinhos-da-Índia. A investigação agora desenvolvida apresenta evidência fisiológica de que a proximidade de animais ajuda a diminuir a tensão em crianças autistas em contexto social.
 
Para este estudo, os cientistas utilizaram uma pulseira com um aparelho para medir a carga elétrica que atravessa a pele sem ser detetada. Quando um indivíduo fica entusiasmado, com medo ou ansioso, a carga elétrica atravessa a pele mais rapidamente, permitindo desta forma medir a ansiedade social e outras formas de estimulação psicológica. 
 
Na experiência participaram 114 crianças entre os cinco e 12 anos de idade, que foram divididas em grupos de três. Cada grupo incluía uma criança com doença do espectro do autismo e duas outras sem este tipo de condição.
 
Durantes os primeiros minutos, os investigadores pediram às crianças para ler um livro em silêncio, permitindo, dessa forma, registar os níveis base de condução de carga elétrica pela pele ao realizarem uma tarefa familiar e sem tensão.
 
De seguida, cada criança foi instruída para ler em voz alta na presença dos seus dois outros colegas de grupo. Esta tarefa tinha como objetivo medir os níveis de tensão durante situações sociais.
 
Mais tarde, os investigadores levaram brinquedos para a sala e deixaram as crianças brincar livremente durante 10 minutos. Esta situação poderá ser provocadora de tensão em crianças com autismo devido à dificuldade de estas se relacionarem socialmente.
 
Por fim, os investigadores levaram dois porquinhos-da-Índia para a sala e deixaram que as crianças brincassem com os animais durante 10 minutos, mas supervisionadas. 
 
Os cientistas descobriram que as crianças com autismo apresentaram níveis mais elevados de carga elétrica, em comparação com as restantes crianças, quando leram em silêncio, em voz alta e quando brincaram com os brinquedos. Estes resultados condizem com estudos anteriores e opiniões de pais e educadores que referem que as crianças autistas apresentam normalmente mais sinais de tensão em situações sociais do que as outras crianças.
 
Contudo, na sessão de interação com os porquinhos-da-Índia os níveis de carga elétrica das crianças autistas baixou significativamente. Os cientistas especulam que devido ao facto de os animais não efetuarem juízos de valores ou de aceitação, a sua presença faz com que as crianças com autismo se sintam mais seguras. Enquanto os humanos realizam juízos de valor a nível social, os animais são encarados como fonte de apoio positivo e incondicional, de acordo com os cientistas.
 
Por outro lado, e sem que os cientistas o consigam explicar liminarmente, os níveis de carga elétrica das crianças que não tinham autismo aumentaram durante a sessão com os porquinhos-da-Índia. Tal facto poderá dever-se ao entusiasmo destas perante a presença do animal, mais do que tensão ou apreensão, consideram os investigadores.
 
Na opinião dos cientistas, este estudo, em consonância com outros anteriores, indica que os animais “poderão desempenhar um papel em intervenções que procurem ajudar crianças com doenças do espetro do autismo a desenvolver as suas competências sociais”.
 
Contudo, será ainda necessário realizar mais estudos para determinar de que forma os animais podem ser usados em programas destinados a desenvolver competências sociais neste tipo de crianças.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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