Prescrição de antibiótios sem necessidade

Ordem dos médicos abre inquérito

13 maio 2014
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Um estudo realizado pela associação de defesa do consumidor Deco, conclui que em 50 consultas médicas, 20 clínicos prescreveram antibióticos sem necessidade para casos de dores de garganta.

 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que a Deco pediu a colaboradores que não tinham quaisquer problemas, que indicassem ao médico sentir dores de garganta, mas sem febre nem qualquer outro sintoma. Foram escolhidas unidades de saúde, públicas e privadas, de forma aleatória nas áreas da Grande Lisboa e Grande Porto.

 

“Nas 50 consultas, os médicos observaram a garganta e procuraram inteirar-se dos sintomas. Em 20 casos, receitaram de imediato um antibiótico”, refere a Deco num artigo publicado na sua página na Internet à qual a agência Lusa teve acesso.

 

Nas restantes 30 situações, os supostos doentes perguntaram, sem insistir, se não seria melhor recorrer a um antibiótico. Numa unidade de saúde foi prescrito um antibiótico, com a indicação de que só deveria ser tomado “se a situação piorasse, tivesse febre e pontos brancos na garganta”.

 

“O uso incorreto e desregrado de antibióticos tem contribuído para aumentar a resistência das bactérias. Se não forem tomadas medidas para travar o desenvolvimento destas resistências, em poucos anos ficaremos sem armas para combater as infeções bacterianas”, defende a associação de defesa do consumidor.

 

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, revelou que vai ser aberto um inquérito de forma a tentar “entender a razão de uma tão elevada prescrição de antibióticos de forma aparentemente injustificada”, acrescentando que a Ordem “não pode ignorar que isto aconteceu”.

 

A Ordem pretende avaliar em que moldes os médicos prescreveram os antibióticos, mas também “entender qual o comportamento dos falsos doentes, como é que induziram eventualmente à prescrição. Mesmo assim, um exame objetivo facilmente permitiria perceber que não haveria indicação para a prescrição”, disse José Manuel Silva à agênci Lusa.

 

O bastonário alertou para o “exagero de prescrição” destes fármacos, considerando que “parte da responsabilidade também é da população, que muitas vezes pressiona o médico” para tal.

 

Cerca de “80% da utilização de antibióticos é na indústria agroalimentar. A sociedade deve começar a ter consciência” desta matéria, disse, lembrando que estes fármacos vão progressivamente deixando de fazer efeito por causa das resistências que as bactérias vão adquirindo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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