Preocupação com fertilidade afeta decisões de tratamento do cancro da mama

Estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”

27 agosto 2015
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As preocupações que surgem em torno da fertilidade fazem com que um terço das mulheres com cancro da mama não tomem o fármaco tamoxifeno, apesar de os seus conhecidos benefícios na redução do risco de recidivas, dá conta um estudo publicado no “Journal of the National Cancer Institute”.
 

O estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Michigan, nos EUA, apurou também que as preocupações com a fertilidade fez com que um quarto das pacientes tivessem interrompido a toma de tamoxifeno antes de período de tratamento recomendado ter terminado.
 

Para o estudo os investigadores analisaram o registo eletrónico médico de 515 mulheres pré-menopáusicas tratadas para o cancro da mama no Hospital Northwestern Memorial. Todas a pacientes incluídas no estudo tinham cancro da mama recetor de estrógenio ou recetor de progesterona positivos e tinha-lhes sido recomendado a toma de tamoxifeno.
 

Estudos anteriores demonstraram que a toma de tamoxifeno ao longo de cinco anos pode reduzir o risco de recidiva em 47% e a mortalidade em 26%. Dados mais recentes sugerem que a toma deste fármaco, ao longo de 10 anos, pode ser ainda mais benéfica na prevenção da recidiva do cancro ou morte.
 

Neste estudo os investigadores constataram que 13% das pacientes recusou-se a tomar tamoxifeno e 16% pararam a sua toma antes dos cinco anos de tratamento recomendado terem terminado. Entre as pacientes que recusaram o tratamento, os fatores mais comuns foram um diagnóstico de carcinoma ductal in situ, não receber quimioterapia e o desejo de preservar a fertilidade futura. A fertilidade futura foi também associada à interrupção precoce do tamoxifeno.
 

Os investigadores também realizaram entrevistas telefónicas a 88 pacientes que não iniciaram ou descontinuaram o tamoxifeno, para ajudar a confirmar os resultados obtidos. As preocupações com a fertilidade e os efeitos colaterais foram os principais fatores mencionados pelas pacientes e que influenciavam as decisões sobre a toma ou interrupção do tratamento com tamoxifeno.

 

As mulheres que tomam tamoxifeno são aconselhadas a evitar a gravidez devido aos potenciais danos elevados para o bebé. Os autores enfatizam a necessidade de fornecer aconselhamento e educação adicional às pacientes que podem estar em maior risco de descontinuar a toma de tamoxifeno.
 

"Para as doentes oncológicas que expressem o desejo de fertilidade futura ou uma preocupação com a preservação da fertilidade, deve ser dado um aconselhamento apropriado, devendo estas ser encaminhadas para um especialista em fertilidade como parte de um tratamento multidisciplinar. Devemos trabalhar com base no diálogo onde as pacientes podem discutir com os médicos os problemas. Através do diálogo poderemos identificar mais pacientes que estão dispostas a concluir o curso de terapia com tamoxifeno recomendado, embora isso possa envolver um atraso ou interrupção do tratamento para conseguirem engravidar", conclui um das autoras do estudo, Jacqueline Jeruss.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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