Prémio Nobel da Medicina

Declarações de um especialista em genética humana

10 outubro 2012
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As investigações galardoadas com o Prémio Nobel da Medicina foram consideradas pelo especialista em genética humana Carolino Monteiro “uma revolução”, que acredita que pode estar para breve a aplicação da reprogramação de células na prática clínica.
 

O prémio Nobel da Medicina 2012 foi atribuído conjuntamente a John B. Gurdon e Shinya Yamanaka "pela descoberta de que as células maduras podem ser reprogramadas para se tornarem pluripotentes", anunciou o Comité Nobel.
 

São células adultas que são reprogramadas para recuperar as propriedades que lhes permitem dar origem a todos os tecidos do corpo, embora não adquiram as propriedades das células estaminais embrionárias, revelou à Lusa Carolino Monteiro.
 

Apesar disso, “voltam atrás no tempo”, ganhando capacidade de se tornarem células indiferenciadas, como quando eram jovens.
 

“O processo consiste numa clonagem genética, ou transferência genética. Ao introduzir na célula quatro genes (informação genética) é dada a instrução para a reprogramação e ela volta ao estádio de pluripotência e pode ser programada para o que se quer”, explicou.
 

Para isso, basta que a célula esteja num ambiente que identifique. Se for colocada em cultura junto com as moléculas que costumam estar no sistema nervoso, a célula vai reprogramar-se para ser uma célula do sistema nervoso.
 

O que está a ser tentado é colocar estas células no tecido danificado. A célula faz a reprogramação para se reproduzir e ter genes ativos.
 

Um exemplo disso é a diabetes, uma doença em que o pâncreas não é funcional e que poderá funcionar normalmente graças a estas células.
 

“Este é o grande objetivo, a medicina regenerativa, regenerar o tecido danificado”, disse, acrescentando que esta descoberta pode contribuir para o tratamento de doenças para as quais não existe terapêutica, como o cancro.

 

Para o investigador, esta descoberta poderá ter aplicação em medicina nos próximos anos e a escolha deste trabalho para ser galardoado com o Nobel é um sinal disso mesmo.

 

“Será certamente ainda no tempo da nossa vida e não daqui a cem anos. Qualquer coisa nova há de estar a sair nos próximos anos em termos de aplicação, porque está tudo a avançar muito depressa”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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