Prémio L’Oreal atribuído a três investigadoras portuguesas

Prémio distingue mulheres cientistas até aos 35 anos

24 fevereiro 2016
  |  Partilhar:
Este ano o prémio “Mulheres na Ciência”, atribuído pela L´Oreal, distinguiu trabalhos sobre as nanopartículas para tratar cancro, a deteção de alterações em doentes com AVC e a forma como a acidez do mar afeta larvas de peixe.
 
Os prémios premiam anualmente três mulheres cientistas, até aos 35 anos, que se tenham destacado em trabalhos de investigação.
 
Uma das investigadares premiadas, Elisabete Oliveira, está a desenvolver uma terapia com nanopartículas que contêm fármacos que têm como alvo as células cancerígenas. "O objetivo é a síntese de nanopartículas minúsculas e, no seu interior, serão inseridos os fármacos, neste caso para tratamento do cancro”, disse a cientista da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e da REQUIMTE (Rede de Química e Tecnologia) à agência Lusa.
 
O estudo do coração de doentes que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC), sem determinação de causa, é o tema do trabalho de Ana Catarina Fonseca para detetar alterações que possam ajudar a diagnosticar e prevenir novos casos.
 
A investigadora do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Hospital de Santa Maria, recorda que, em "cerca de um terço dos AVC, mesmo depois de se fazer uma investigação extensa para tentar descobrir uma causa, não se consegue detetar" o que levou ao acidente.
 
"Dizemos que são AVC de causa indeterminada" já que os exames estão normais, os médicos não sabem bem como medicar o doente, e uma possibilidade "é que os exames que estamos a fazer não sejam suficientemente sensíveis para ver as alterações", relatou à Lusa.
 
O trabalho propõe novos métodos de exames de diagnóstico, como uma ressonância cardíaca e biomarcadores no sangue, para "ver melhor a estrutura do coração" e chegar à causa do AVC.
 
A investigadora do instituto universitário e do centro de investigação MARE, Ana Faria, está a estudar de que forma as larvas, ou peixes bebés, do litoral português estão a ser afetados pelo aumento da acidez do mar, uma consequência da subida dos níveis de dióxido de carbono.
 
"Propus avaliar de que forma a exposição dos peixes adultos [de espécies do litoral português] a um ambiente acidificado trará vantagens para a sua descendência, porque o que tem sido feito até agora é colocar as larvas em ambiente acidificado e tem sido excluído o restante ciclo de vida, ou seja, os pais", referiu. 
 
Nos últimos anos, a acidificação do oceano está a ocorrer mais rapidamente devido aos elevados níveis de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, que o mar não consegue assimilar, levando ao desequilíbrio do ecossistema.
 
Os peixes adultos "têm mecanismos muito eficazes na regulação destas alterações que ocorrem no meio, mas os estados larvares ainda têm esses mecanismos em desenvolvimento", ficando mais suscetíveis, salientou Ana Faria.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.