Pré-eclampsia: identificada proteína-chave

Estudo publicado na revista “Circulation Research”

07 junho 2016
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As mulheres com pré-eclampsia têm níveis baixos de uma proteína imunitária placentária, a CD74, e determinados fatores inflamatórios elevados, dá conta um estudo publicado na revista “Circulation Research”.
 

No útero, o feto recebe os nutrientes de que necessita através da placenta. É na placenta que os vasos sanguíneos da mãe e do feto se encontram, sem que haja mistura do sangue. Se a formação da placenta for afetada, pode ocorrer pré-eclampsia, uma condição que afeta tanto a mãe como o feto.
 

Florian Herse, um dos autores do estudo, refere que após tantos anos de pesquisa ainda permanecem por esclarecer as causas e os mecanismos envolvidos na pré-eclampsia. Contudo, os investigadores de vários centros de investigação na Alemanha descobriram agora que a proteína recetora CD74, encontrada na superfície de algumas células do sistema imunitário, tem um papel muito importante.
 

O estudo apurou que a CD74 estava presente num tipo de células imunitárias, os macrófagos. Estas células estão ativas na interface entre a mãe e o bebé e interagem diretamente com e estimulam outras células placentárias, os trofoblastos.
 

Estudos preliminares indicaram que a CD74 estava presente em níveis baixos nas placentas das mulheres com pré-eclampsia. Após terem analisado mais aprofundadamente esta relação, os investigadores verificaram que as placentas das mulheres com esta condição tinham de facto uma quantidade anormalmente baixa do recetor CD74.
 

Os investigadores utilizaram células em cultura, tendo eliminado a produção da CD74 nos macrófagos, o que conduziu à libertação de substâncias pró-inflamatórias. Verificou-se também que as placentas dos ratinhos que não expressavam a CD74 apresentavam características estruturais anormais e tinham um baixo desempenho, comparativamente com as placentas do grupo de controlo.
 

Os investigadores acreditam que a causa direta da inflamação e da aparência alterada das placentas envolve uma falha de comunicação entre as células. Florian Herse refere que a razão para um crescimento placentário alterado reside na rutura da interação entre os macrófagos e o trofoblasto, que é importante para uma gravidez normal.
 

“A associação entre os recetores CD74 e pré-eclampsia abre novas possibilidades a longo prazo para o desenvolvimento de uma terapia muito necessária que tem como alvo as causas e não os sintomas da doença “, concluiu o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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