Pré-diabetes pode ser um percursor da doença renal

Estudo publicado no “American Journal of Kidney Disease”

04 janeiro 2016
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Investigadores noruegueses constataram que a pré-diabetes pode causar danos nos rins, sugere um estudo publicado no “American Journal of Kidney Disease”.
 
De acordo com os investigadores do Hospital Universitário do Norte da Noruega, estudos anteriores já tinham tentado descobrir se havia uma associação entre a pré-diabetes e danos nos rins. Contudo, estes estudos obtiveram resultados inconsistentes, o que na opinião dos investigadores do atual estudo podem ser justificado pelo facto de terem sido utilizadas estimativas da taxa de filtração glomerular (GFR, sigla me inglês), em vez da medição da GFR (mGFR).
 
A GFR é um teste da função renal que mede a quantidade de sangue que passa através dos glomérulos, pequenos filtros nos rins que filtram, a cada minuto, os resíduos do sangue. Níveis elevados de GFR são um sinal de hiperfiltração, a qual pode, ao longo do tempo, conduzir a danos no rim e insuficiência renal.
 
Para o estudo os investigadores mediram a GFR, os níveis de glucose em jejum e de hemoglobina (Hb) A1c em 1.324 adultos com idades compreendidas entre os 50 e os 62 anos de forma a tentar perceber melhor se havia uma associação entre a pré-diabetes e os danos nos rins.
 
De acordo com o Comité de especialistas Internacionais de 2009, a pré-diabetes foi classificada como níveis de glucose em jejum entre 110-125 mg/dL e/ou níveis de HbA1c entre 6-6.4% ou como níveis de glucose em jejum entre 100-125 mg/dL e/ou níveis de HbA1c entre 5.7-6.4%, como definido pela Associação de Diabetes Americana.
 
A presença da pré-diabetes foi definida no início do estudo. Os indivíduos foram acompanhados ao longo de uma média de 5,6 anos. No início do estudo 595 participantes tinham pré-diabetes.
 
Após terem ajustado o estilo de vida dos participantes, bem como a toma de medicação, os investigadores verificaram que, ao longo do período de acompanhamento, aqueles com pré-diabetes apresentavam uma mGFR mais elevada comparativamente com os sem a condição, um sinal de hiperfiltração nos rins.
 
O estudo apurou também que, níveis mais elevados de glucose em jejum no início do estudo estavam associados a níveis mais elevados de albumina na urina ao longo do período de acompanhamento, um sinal precoce de doença renal.
 
De acordo com os autores do estudo, estes resultados sugerem que os níveis de glucose em jejum e de HbA1c que são consistentes com a pré-diabetes são fatores de risco independentes da hiperfiltração e níveis elevados de albumina na urina, indicando que a pré-diabetes é um precursor da doença renal.
 
“Os nossos resultados indicam que o processo patológico dos danos renais causado pelos níveis elevados de glucose no sangue começa na pré-diabetes, antes de a diabetes ter início”, concluiu um dos coautores do estudo, Toralf Melsom.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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