Praticar meditação muda a actividade do cérebro em apenas um mês

Estudo será publicado na revista “Psychological Science”

19 julho 2011
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Praticar meditação, durante um período de cinco semanas, muda os padrões da actividade cerebral, em especial os associados a estados de espírito positivos, revela um estudo da University of Wisconsin-Stout, EUA, que será publicado na revista “Psychological Science”.

 

Estudos anteriores já tinham verificado que os monges budistas, que passavam dezenas de milhares de horas em meditação, tinham padrões diferentes de actividade cerebral. Mas os cientistas quiseram comprovar se seria possível observar uma mudança na actividade cerebral depois de um período mais curto de prática.

 

No final dos anos 1990, Jane Anderson era arquitecta paisagista e, devido à sua profissão, não trabalhava muito tempo durante o Inverno; nessa época do ano era atingida pelo distúrbio afectivo sazonal (depressão que aparece no Outono e Inverno). Por isso, Jane decidiu tentar a meditação e notou uma mudança um mês após ter iniciado a prática. "A minha experiência foi uma sensação de calma, de uma melhor capacidade de regular as minhas emoções", explicou a arquitecta, em comunicado de imprensa.

 

A sua experiência inspirou este novo estudo que encontrou mudanças na actividade cerebral após apenas cinco semanas de treino de meditação.

 

No início do estudo, cada participante foi submetido a um electroencefalograma (EEG) - medição da actividade eléctrica do cérebro. Foi-lhes dito: "Relaxe com os olhos fechados e foque-se no fluxo da sua respiração na ponta do nariz, se surgir um pensamento aleatório, reconheça o pensamento e depois simplesmente deixe-o ir, trazendo, cuidadosamente, a sua atenção de volta para o fluxo da sua respiração".

 

Em seguida, 11 pessoas foram convidadas a participar no treino de meditação, enquanto os outros 10 foram informados de que seriam treinados mais tarde. Os 11 fizeram duas sessões de meia hora por semana, e foram incentivados a meditar o máximo possível entre as sessões, mas não lhes foram colocadas exigências específicas sobre quanto tempo o deveriam fazer.

 

Após cinco semanas, os cientistas repetiram o EEG a cada indivíduo. Cada um dos participantes tinha feito, em média, cerca de sete horas de treino e prática. Mas, mesmo com esta pouca prática de meditação, a sua actividade cerebral foi diferente das 10 pessoas que ainda não tinham feito a formação. Os voluntários que fizeram o treino de meditação demonstraram uma maior proporção de actividade na região frontal esquerda do cérebro em resposta às tentativas subsequentes de meditar. Outra pesquisa verificou que este padrão de actividade cerebral está associado a estados de espírito positivos.

 

Segundo um dos líderes da investigação, Christopher Moyer, a mudança na actividade cerebral " foi claramente evidente, mesmo que tenha sido observada num pequeno número de indivíduos. "Se alguém está a pensar tentar a meditação, mas é assaltado pelo pensamento de que é um grande compromisso, que vai ter uma formação muito rigorosa antes de começar a ter efeito na sua mente, este estudo sugere que não é o caso".

 

“Acho que isso implica que a meditação provavelmente cria uma mudança de percepção em relação à vida - e realmente funcionou comigo", adiantou, em comunicado, Jane Anderson.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.


 

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