Portugueses vão cada vez menos às urgências

Revelação de dirigente da Ordem de Enfermeiros

10 dezembro 2014
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Os portugueses vão menos às urgências, mas com situações clínicas mais graves, por causa dos custos associados a uma ida aos serviços de saúde, revelou um dirigente da Ordem dos Enfermeiros.
 

“Hoje, as pessoas recorrem ao serviço de urgência numa fase mais tardia da sua situação de doença. Estamos a falar daquela população idosa, com várias patologias e doenças crónicas, e que atrasa a ida à urgência, devido a um conjunto de custos associados – não só as taxas moderadoras”, revelou o presidente da secção regional do sul da Ordem dos Enfermeiros, Alexandre Tomás, à agência Lusa.
 

O enfermeiro alerta para as “carências financeiras” que afetam esta população e que dificultam a acessibilidade aos cuidados de saúde.
 

“Verificamos isso todos os dias nos serviços de urgência, mas também verificamos no âmbito dos cuidados de saúde primários. Há pessoas que estão em casa e que precisavam de cuidados domiciliários, consultas e acompanhamento de enfermeiros, mas as equipas não têm recursos para poder responder a estas necessidades”, adiantou.
 

De acordo com Alexandre Tomás, esta situação não deverá mudar com o Orçamento do Estado para 2015, já aprovado, e que não contempla soluções.
 

“As expetativas são, de facto, de incapacidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para responder ao que é um desafio civilizacional que é de garantia de acesso aos cuidados de saúde seguros e com qualidade”, disse Alexandre Tomás.
 

Também para Jaime Mendes, que preside à secção regional do sul da Ordem dos Médicos, as expetativas são “más”. “Um reforço de orçamento para a saúde de 0,6% é praticamente zero”, disse à agência Lusa.
 

Na sua opinião, “o SNS vai continuar a ser subfinanciado e entre o que está previsto para gastar na saúde e o que se orçamenta há uma diferença de mais de 700 milhões de euros”.
 

“Das duas, uma: ou se aumentam as taxas moderadoras para colmatar esse défice, ou ficará para dívidas aos fornecedores”, avançou.
 

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