Portugueses têm menos filhos do que gostariam

Considerações da diretora da representação do Fundo da ONU para a população

24 outubro 2018
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A diretora da representação do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) disse que em Portugal a fertilidade desejada está bastante abaixo da realizada, tendo o país uma taxa de fecundidade baixa.
 
Mónica Ferro, que participou no parlamento português na apresentação do "Relatório sobre a evolução da população mundial de 2018", do UNFPA, adiantou à agência Lusa que, em Portugal, em média” as mulheres e os casais querem ter cerca de 2,3 filhos e na realidade têm 1,2”.
 
A especialista explicou que, “quando têm acesso a informação, as mulheres e os casais limitam a sua fertilidade, mas esse limitar da fertilidade e direito de escolha significa que em algumas partes do Mundo esse direito não se realiza porque algumas mulheres e alguns casais têm mais crianças do que as que querem, mas noutras partes do Mundo têm menos do que as que querem e Portugal insere-se neste contexto”.
 
“Portugal tem as mesmas barreiras que têm os outros países altamente desenvolvidos e que estão na categoria de baixas taxas de fertilidade, que são as dificuldades económicas, as barreiras institucionais e as barreiras sociais”, adiantou.
 
“Embora haja acesso à saúde sexual e reprodutiva e ela faça parte dos cuidados primários de saúde em Portugal, muitas mulheres e muitos casais relatam histórias de dificuldade na conciliação entre a vida familiar e a profissional, falta de cuidados infantis ou destes serem demasiadamente caros e não lhes permitir poder ter uma vida profissional e familiar e a realização do projeto de fertilidade que querem”, observou.
 
Para Mónica Ferro, esta é uma “situação preocupante em Portugal”, que só pode ser resolvida através de um grande investimento público e políticas proativas de conciliação do trabalho com a vida familiar, no investimento dos serviços de apoio à infância e incentivos fiscais, para se conseguir que a taxa cresça novamente.
 
 “A maior parte dos países europeus, com perfis demográficos semelhantes aos portugueses, estão muito preocupados com a sustentabilidade da Segurança Social e do mercado de trabalho. Há países que tinham taxas de fertilidade muito baixas e que fizerem investimentos políticos muito fortes e que agora estão a ver as suas populações a voltar a crescer”, disse.
 
Mónica Ferro deu como exemplo a França e a Noruega, que fizeram investimentos públicos muito grandes em licenças de maternidade e de paternidade pagas, em cuidados infantis, sistemas de creches e infantários, com muitos incentivos fiscais a casais com mais filhos e também com políticas de subsídios de nascimento e à infância.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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