Portugueses procuram cada vez menos psicólogos

Crise é a principal culpada

28 maio 2013
  |  Partilhar:

Os portugueses procuram cada vez menos a ajuda dos psicólogos ou reduzem o tempo da terapia devido à crise, acabando por recorrer mais aos médicos de família, conclui um estudo da DECOProteste.
 

Ao mesmo tempo que aumentam as situações de ansiedade ou problemas emocionais, a crise económica afeta o Serviço Nacional de Saúde (SNS), onde o tempo de espera para a primeira consulta de psicologia é de um mês e os contactos passam a ser mensais em 70% dos casos, o que "é pouco", revelou à agência Lusa o coordenador do trabalho, Osvaldo Santos.
 

O estudo refere ainda que, neste contexto, os médicos de família acabam por ser o recurso mais procurado e 19% dos inquiridos pediram ajuda ao seu clínico, percentagem mais elevada do que a registada no anterior inquérito (11%), em 2002.
 

Estes profissionais "têm um papel fundamental" na triagem destas situações e o aumento da procura dos médicos de família nestas situações "provavelmente" está relacionado com as dificuldades económicas, referiu Osvaldo Santos.
O problema é que "acabam por ficar por esta solução", o que acontece em 19% dos casos, e "vemos que a satisfação é menor entre as pessoas que recorrem só a médicos de família", quando comparados com aqueles que recorrem a profissionais especializados, "o que é natural", acrescentou.
 

"A grande maioria dos inquiridos mostra uma atitude muito favorável à procura de apoio psicológico e isto é bom. As pessoas têm a ideia de que há sofrimento psicológico e aspetos mais disfuncionais que requerem um tratamento mais específico", explicou o especialista.
 

"Têm a perceção de que ir ao psicólogo ou ao psiquiatra não é uma coisa “própria só dos malucos´" e, nos últimos anos, a procura destes profissionais tornou-se mais natural.
 

Dos 1.350 inquiridos, 97% afirmaram que é útil e pode ser benéfico procurar ajuda de profissionais, principalmente em caso de ansiedade, depressão ou problemas com o sono, e quase um quinto (17%) procurou mesmo este apoio.
 

Mas, daqueles que disseram sentir um sofrimento emocional e psicológico "bastante acentuado", 78% optaram por não procurar ajuda psicológica e, destes, 13% considerou que o custo das terapias "é um entrave".
 

Para mais de 60%, familiares, amigos e colegas de trabalho tiveram um papel de suporte importante. Há ainda 37% de inquiridos convictos de conseguir ultrapassar os problemas sozinhos.
A crise reflete-se no facto de metade dos portugueses a necessitar de ajuda recorrer a um tratamento mais barato e de "uma grande percentagem das pessoas só ir a uma consulta, não fazer um tratamento continuado", disse Osvaldo Santos.
 

"Aumenta mais o número de pessoas que têm dificuldades emocionais e psicológicas, há mais procura, o que ainda vai afogar mais os serviços (do SNS) na resposta que conseguem dar", referiu o coordenador do estudo.

 

Para Osvaldo Santos, "é preciso (...) priorizar as questões de saúde mental, até porque quanto mais saúde mental, mais produtividade laboral existe e [registam-se] menos custos de saúde", defendeu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.