Portugueses precisam cada vez mais de óculos mas não têm dinheiro

Dia Mundial da Visão

13 outubro 2016
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O número de pessoas que não usam óculos por falta de dinheiro ou nem sequer vão às consultas por saberem que não poderão comprar óculos está a aumentar, alerta a presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO).
 

Mara João Quadrado falou à agência Lusa a propósito de uma iniciativa que a SPO vai apoiar e que decorrerá hoje no âmbito do Dia Mundial da Visão.
 

Trata-se de um Banco de Óculos, promovido pela associação de solidariedade ABO, que tem como objetivo promover a recolha de óculos (armações e lentes) doados e a sua distribuição a pessoas carenciadas.
 

Esta iniciativa acontece numa altura em que se vive “uma necessidade premente” de óculos, da qual os oftalmologistas têm conhecimento nos seus consultórios, quando se apercebem que os doentes não compraram os óculos recomendados ou manifestam dificuldades em fazê-lo.
 

“Há muita gente que não compra os óculos, ou não vai ao médico, porque receiam ter de comprar os óculos e não têm dinheiro”, referiu Mara João Quadrado.
 

Esta é uma situação que se tem vindo a agravar e que se intensificou nos últimos cinco, seis anos.
 

“A situação é transversal às idades e à diferenciação económica. Algumas pessoas, que há cinco anos tinham algumas possibilidades, passaram de ter quase tudo para quase nada”, disse a presidente da SPO.
 

O risco desta falta de diagnóstico e do devido uso de óculos é maior nas crianças que, sem correção, podem ficar com defeitos permanentes na visão. “Nas crianças, é gravíssimo não usarem óculos quando precisam. É fundamental, caso contrário pode haver defeitos permanentes”, sublinhou.
 

A falta de visão é ainda causa de outros acidentes, como quedas, e a nível psicológico, pois pode pôr em causa o convívio social.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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