Portugueses faltaram a 539.824 consultas devido ao custo dos transportes

Estudo conduzido pela Universidade Nova de Lisboa

08 março 2018
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Os portugueses faltaram a mais de meio milhão de consultas nos hospitais públicos no ano passado por causa dos custos dos transportes, concluiu um estudo cujos resultados foram divulgados pela agência Lusa.
 
Este trabalho da NOVA Information Management School (NOVA-IMS), da Universidade Nova de Lisboa, que é elaborado desde 2014, incluiu pela primeira vez a análise do impacto dos custos de transporte no acesso aos cuidados de saúde e verificou que, no que se refere às consultas externas (hospitais), este impacto é quase o dobro do dos custos das taxas moderadoras.
 
Pedro Simões Coelho, coordenador principal do estudo, considerou “muito importante” esta vertente do custo dos transportes e frisou: “esta não é uma realidade intrínseca ao sistema, mas tem de ser considerada pois há determinadas franjas da população para as quais estes custos da deslocação devem merecer uma particular atenção”.
 
Segundo os dados do estudo, ficaram por realizar 539.824 consultas externas/especialidade nos hospitais públicos por causa dos custos de transporte e 254.568 por causa do preço das taxas moderadoras.
 
Já os dois motivos em conjunto (valor das taxas e custo da deslocação) fizeram com que não se realizassem 260.905 consultas externas nos hospitais, o que faz ascender a um milhão o número de consultas por realizar nos hospitais por todos estes motivos.
 
No que se refere às consultas com um médico de clínica geral ou com o médico de família num centro de saúde, o peso do custo dos transportes nas consultas por realizar (253.318) é menor do que o das consultas nos hospitais. Nos centros de saúde, o motivo que levou à não realização de um maior número de consultas (439.997) foi o custo das taxas moderadoras.
 
Apesar dos portugueses continuarem a considerar os preços das taxas moderadoras adequados, mantêm uma perceção errada dos valores, uma vez que, nalguns casos, estimam custos acima dos reais.
 
“O que estimamos é que ao nível das consultas de cuidados primários em centros de saúde e dos episódios urgência as pessoas têm noção exata do preço (…). Agora, é uma percentagem pequena, mas ainda assim há 10% que acha que existe taxa moderadora para o internamento, que não existe, o que mostra que há um desalinhamento relativamente à realidade”, acrescentou.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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