Portugueses em projeto que desenvolve modelo de olho para trabalho científico

O “Biomembrane” é um projeto europeu integrado no ERA-NET

11 julho 2018
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Um grupo de investigadores do Centro de Estudos de Doenças Crónicas (CEDOC) da NOVA Medical School - Faculdade de Ciências Médicas, liderado por Miguel Seabra, integra a equipa internacional do projeto europeu ERA-NET, denominado "Biomembrane", que está a desenvolver um modelo in vitro tridimensional de olho humano. 
 
O modelo tem "potencial de comercialização [e é] capaz de potenciar e acelerar a investigação de novas estratégias terapêuticas para doentes com degenerescência macular relacionada com a idade (DMI)", explica a informação divulgada pela instituição à Lusa.
 
Atualmente, segundo a NOVA Medical School, não existe uma terapêutica eficaz para aquela doença, sendo "urgente clarificar os mecanismos moleculares subjacentes" à patologia para que se possam desenvolver terapias mais eficientes.
 
"Uma das limitações farmacêuticas existentes é ter que usar animais para a investigação" científica, para testar novos tratamentos, pelo que "o desenvolvimento de um olho biónico tridimensional é um modelo extremamente atrativo e necessário", defende a informação.
 
O projeto "Biomembrane" pretende desenvolver um sistema que recrie as estruturas do olho e permita a cultura de células diferenciadas, sendo uma alternativa para substituir o recurso a animais nas investigações na indústria farmacêutica.
 
Está integrado num consórcio internacional com cinco parceiros, dois dos quais empresas biofarmacêuticas. A equipa de investigadores do CEDOC é responsável pelo 'know-how' de biologia celular da retina e, atualmente, o grupo usa células isoladas de olho de porco e métodos de diferenciação de células humanas a partir de células estaminais.
 
A DMI é uma doença degenerativa da área central da retina (mácula) que provoca perda da visão central, uma patologia apontada como a causa mais comum de perda de visão nas pessoas acima de 55 anos. 
 
Embora não cause cegueira total, há uma progressiva falta de visão associada à degenerescência e alterações vasculares da mácula e a sua incidência e prevalência têm vindo a aumentar com a maior esperança de vida. 
 
Dados da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia indicam que haverá cerca de 355.000 pacientes com todas as formas da doença.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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