Portugueses descobrem gene supressor do cancro

Estudo publicado na revista “Oncogene”

28 março 2011
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Investigadores portugueses descobriram um novo gene supressor do cancro, LRP1B, dá conta um estudo publicado na revista científica “Oncogene”.
 

Em 2010, uma equipa de investigadores de Cambridge descobriu que este gene, que codifica uma proteína / receptor membranar que está envolvida no transporte de moléculas do exterior para o interior das células, estava entre os 10 genes mais ausentes em cerca de 3000 cancros.
 

De forma a verificar se este receptor desempenhava um papel importante no desenvolvimento do cancro, os investigadores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) e do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra analisaram amostras de tecido da glândula da tiróide provenientes de pacientes que sofriam deste tipo de cancro, onde o LRP1B I é normalmente encontrado em elevadas quantidades. Foi verificado que estas amostras apresentavam níveis anormalmente baixos deste gene, sugerindo que o LRP1B estava associado ao desenvolvimento do cancro.
 

Esta hipótese foi apoiada pelo facto de, quando os investigadores introduziram o gene LRP1B em células tumorais, estas perderam a capacidade de se dividir e invadir os tecidos circundantes.
 

Como esta proteína está envolvida no transporte de moléculas, os investigadores liderados por Paula Soares, colocaram a hipótese de este receptor estar envolvido na remoção de moléculas, em torno das células cancerígenas, que são importantes para o desenvolvimento do tumor. De facto, os investigadores verificaram que o ambiente em redor das células que expressavam o LRP1B tinham menores quantidades de uma proteína denominada por matriz metaloproteínase (MMP). Esta enzima é conhecida por degradar a matriz extracelular criando assim mais espaço para que as células tumorais se expandam e invadam novos tecidos.
 

Os investigadores deste estudo concluem assim que o LRP1B altera o microambiente tumoral através da remoção de uma proteína crucial para o desenvolvimento dos tumores, a MMP. Como a maioria dos tumores depende da MMP para crescer e invadir outros tecidos, isto significa que um grande número de cancros pode ser controlado por LRP1B. O estudo também sugere que os tratamentos capazes de aumentarem a expressão de este receptor ou reproduzir o seu efeito podem ser utilizados contra vários tipos de cancros, incluindo pulmão, esófago, mama, hepatocelular, renal, e cancro colo-rectal.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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