Portugueses consomem alimentos com menos ácidos gordos trans

Estudo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge

02 dezembro 2015
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Os portugueses consomem menos ácidos gordos trans (AGT), os quais são prejudiciais para a saúde. No entanto, continuam a ingerir níveis elevados de sal e gordura, dá conta um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).
 
O PtranSALT teve como objetivo identificar as principais fontes alimentares de ácidos gordos trans, gordura saturada e sal, tendo analisado 360 amostras adquiridas em grandes superfícies e restaurantes “fast-food” da região da grande Lisboa, entre 2012 e 2015.
 
Na apresentação dos resultados preliminares do relatório, a bolseira de investigação do INSA, Tânia Albuquerque, que participou neste projeto, revelou à agência Lusa que se verificou, nos alimentos analisados, “uma redução efetiva dos teores de AGT”.
 
Esta descida foi especialmente acentuada em alimentos como línguas de veado (biscoitos), bolachas de água e sal, croissants, donuts, bolas de Berlim sem creme ou bolachas maria.
 
A diminuição destes AGT, que são prejudiciais para a saúde, também foi significativa nas batatas fritas de pacote, nas batatas fritas servidas em lojas de “fast-food” e nas batatas fritas congeladas. Nos croquetes, rissóis de camarão e chamuças também desceu a presença de AGT.
 
A propósito destes indicadores, a nutricionista Helena Cid, da multinacional Unilever, que entre outros produtos comercializa margarinas e cremes de barrar, sublinhou que esta diminuição da presença de AGT nos alimentos é resultante do esforço da indústria que esteve atenta aos malefícios dos mesmos na saúde dos consumidores.
 
Helena Cid lamentou, contudo, que a legislação em vigor (Regulamento nº 1169/2011, da EU, do Parlamento Europeu e do Conselho de 25 de Outubro de 2011) não permita que seja possível o rótulo dos alimentos conterem informação relativa à presença de AGT.
 
Tânia Albuquerque sublinhou a importância desta diminuição, tendo em conta que o consumo de AGT está associado a doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e até cancro.
 
Ressalvando que estes são ainda resultados preliminares, a bolseira defendeu a continuidade da investigação, de modo a que os resultados da mesma possam ser fundamentados com dados de consumo.
 
Relativamente ao nível do sal e gordura, os resultados obtidos indicam que alguns alimentos ainda apresentam teores consideravelmente elevados.
 
Tânia Albuquerque deu o exemplo de um croissant tipo francês, com manteiga, queijo e fiambre, o qual ultrapassa a dose de referência diária de sal recomendada. Ao nível da gordura, este alimento apresenta mais de metade da dose de referência diária.
 
Relativamente aos bolos avaliados, a investigadora referiu o pastel de nata, o queque e a bola de Berlim, sendo o primeiro preferível em relação aos restantes, pois é o que tem menos gordura e o segundo com menos sal, enquanto a bola de Berlim é a que tem mais gordura e sal.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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