Portugueses adiam tratamentos por falta de dinheiro

Estudo apresentado na revista Testesaúde

26 novembro 2015
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Em 2014, metade das famílias portuguesas não teve dinheiro para fazer tratamentos médicos necessários, tendo muitas vezes cortado na alimentação e recorrido a empréstimos para fazer face a essas despesas, revelou a revista Testesaúde, da Deco.
 
“No ano passado, por falta de dinheiro, 50% dos portugueses falharam cuidados de saúde considerados essenciais do ponto de vista médico. E ninguém escapou às dificuldades: um terço eram crianças, que ficaram sem tratamentos, consultas ou medicamentos aconselhados pelo médico”, indica a revista de saúde da associação de defesa do consumidor, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 
A dificuldade em pagar despesas de saúde afeta mais as famílias com rendimentos mensais abaixo dos 1.500 euros, os agregados numerosos ou monoparentais e os que incluem membros que sofrem de doença crónica, conclui o inquérito que contou com a participação de 1.763 famílias portuguesas.
 
“Isto num país em que cerca de 40% das famílias vivem com menos de 1.000 euros por mês”, sublinha a revista.
 
No topo dos gastos com saúde estão os tratamentos dentários e oftalmológicos, as consultas e os medicamentos, que em 2014 foram sendo adiados por falta de dinheiro.
 
O mesmo se verificou com as urgências, que “tiveram de deixar de sê-lo quando não havia como pagá-las”: 10% dos portugueses, incluindo crianças, não foram às urgências por não terem dinheiro.
 
Apesar de os mais carenciados estarem isentos de taxas moderadoras, existem “copagamentos disfarçados” que são “penalizadores” para a maioria.
 
O estudo não considerou os pagamentos de prémios de seguros nem tratamentos ou cirurgias de estética e beleza. A Deco diz que no ano transato as famílias gastaram uma média de 1.480 euros em cuidados de saúde que nunca lhes serão reembolsados. 
 
“O valor sobe para 1.824 euros em agregados com doentes crónicos”, a que se junta o prémio do seguro de saúde, contratado por 20% dos inquiridos, que dizem pagá-lo do próprio bolso: em média, custa-lhes 506 euros anuais. 
 
No total, as despesas anuais não reembolsáveis representam 19% do rendimento líquido disponível, proporção que sobe para 25% nos agregados com doentes crónicos.
 
Para fazer face a estas dificuldades, uma em cada cinco famílias teve que se endividar, na maior parte dos casos junto de familiares, mas também de amigos ou de instituições bancárias.
 
Os inquiridos reportaram problemas de saúde dos filhos menores que necessitavam de cuidados médicos e que em 15% dos casos eram muito sérios e em 70% importantes. 
 
Em consequência desta falta de assistência, não só as atividades escolares ficam afetadas (além da saúde), mas também as necessidades básicas familiares.
 
“Um quinto dos agregados teve de cortar em bens alimentares e em climatização por causa dos gastos com a saúde. Um quarto viu-se obrigado a abdicar do conforto no lar e de obras ou mobiliário”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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