Portugal vai ter Programa Nacional de Luta Contra a Depressão

Doença atinge 20 por cento da população

17 outubro 2004
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 A Direcção-Geral da Saúde (DGS) vai avançar com um Programa Nacional de Luta Contra a Depressão, patologia que atinge 20 por cento da população, à semelhança do que já existe há alguns anos noutras áreas, como a sida e a droga. Apesar de ainda se aguardar a conclusão de uma série de projectos preliminares, este plano de acção contra a doença, já classificada como o «cancro do século XXI», dará os primeiros passos durante o próximo ano, «se forem mobilizadas as condições necessárias», adiantou ao Público a directora de serviços de Psiquiatria e Saúde Mental da DGS, Maria João Heitor. A preocupação acrescida com a depressão decorre do facto de se estimar que esta doença, causada por um desequilíbrio da química cerebral, atinja cerca de 20 por cento da população. A patologia que atinge anualmente 33,4 milhões de pessoas na Europa. Uma das estratégias prioritárias do plano de acção passará pelo investimento nos centros de saúde (para permitir a detecção e tratamento precoce das pessoas com depressão) e nos hospitais, uma vez que existe uma elevada morbilidade psiquiátrica nos doentes que sofrem de patologias físicas, sendo que a depressão contribui para o agravamento dessas doenças e para o aumento dos custos de saúde em geral. «Cerca de 25 a 30 por cento das pessoas afectadas por doenças físicas crónicas como diabetes, patologia cardiovascular ou neoplasia apresentam também uma patologia psiquiátrica, nomeadamente depressão. Em internamento hospitalar, entre os mais idosos e mais fragilizados, 25 a 30 por cento podem também apresentar patologia psiquiátrica orgânica. Muitas mais pessoas reagirão à situação de doença com sofrimento emocional», explica Maria João Heitor. A responsável da DGS acrescenta que as chamadas perturbações neuropsiquiátricas – a depressão, a doença bipolar, a esquizofrenia, o abuso e a dependência de álcool, entre outras - estão a aumentar em todo o mundo. Sublinha que apesar de a OMS e o próprio plano nacional de saúde 2004-2010 definirem a saúde mental como uma das prioridades, a realidade é que em Portugal persistem «numerosos obstáculos, nomeadamente na atribuição de recursos financeiros para projectos básicos nesta área e deficiente planeamento de recursos humanos - sendo a distribuição de psiquiatras desigual em determinados distritos e instituições e a escassez de pedopsiquatras enorme -, a par da má articulação e organização», descreve a especialista. Fonte: Diário Digital

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