Portugal tem um "cenário catastrófico" nos cuidados paliativos

Estudo publicado na revista “The Lancet Global”

27 maio 2019
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A Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos classifica como catastrófico o cenário traçado por um estudo que aponta para o aumento de pessoas a morrer sem acesso a cuidados paliativos no futuro.
 
“Portugal tem gerações e décadas de atraso relativamente às metas e boas práticas europeias. A associação tem reforçado a mensagem perante o poder político e executivo de que esta é uma matéria que não pode sofrer de inação, de hesitações ou de inércia”, afirmou à agência Lusa o presidente da Associação, Duarte Soares.
 
O estudo indica que o número de pessoas que morrem com necessidades de cuidados paliativos deve quase duplicar nas próximas quatro décadas. Até 2060, estima-se que 48 milhões de pessoas a cada ano (quase metade de todas as mortes no mundo) morrerão com sérios sofrimentos relacionados com a saúde, um aumento de 87% em relação a 2016.
 
Duarte Soares considera que o estudo vem reforçar a mensagem da urgência de se tomarem medidas: “A mensagem é clara: mais doentes com maior idade, maior comorbilidade, maior grau de dependência e de sofrimento. Vemos um quadro catastrófico para o futuro, se nada for feito”.
 
O presidente da associação lamenta que a campanha para as eleições europeias tenha dedicado “zero minutos” aos cuidados paliativos e à transformação demográfica.
 
“Deixa-nos perplexos e preocupados. Um dos maiores desafios clínicos e sociais nem sequer é abordado por nenhuma força política”, indicou à Lusa.
 
O estudo teve a participação de duas investigadoras portuguesas que reconhecem que a realidade em Portugal se enquadra nos resultados do estudo.
 
Maja Brito, investigadora do King's College London e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, recorda que o estudo não acedeu a dados de cada país de forma individual, mas analisou países em desenvolvimento e também países desenvolvidos ou de alto rendimento, onde se enquadra Portugal, que tem ainda um vincado envelhecimento da população.
 
“Portugal é um país extremamente envelhecido e projeta-se que será o segundo país mais envelhecido do mundo em 2050. Nos dados do estudo consigo identificar o padrão de Portugal”, declarou Maja Brito à agência Lusa.
 
A investigadora salienta que o estudo aponta para um aumento de mortes sem acesso a cuidados paliativos sobretudo nos casos de cancro e de demências.
 
Maja Brito manifestou preocupação sobretudo com a falta de preparação dos serviços para os casos de demência, que são os que terão “um crescimento mais rápido”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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