Portugal tem maior taxa da Europa de novos doentes em diálise

Dados da Sociedade Portuguesa de Nefrologia

10 abril 2015
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O Gabinete de Registo da Sociedade Portuguesa de Nefrologia revelou que Portugal apresenta a maior taxa da Europa de novos doentes a fazer diálise, registando em 2014 quase 2.500 novos pacientes com insuficiência renal a precisarem de diálise para substituir a função dos rins.
 
Depois de em 2011 e em 2012 o número de novos doentes com insuficiência renal crónica em Portugal ter diminuído, no ano passado voltou a aumentar, à semelhança do que já tinha acontecido em 2013.
 
De acordo com os dados da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, aos quais a Lusa teve acesso, há quase 235 novos doentes em diálise por cada milhão de habitantes em Portugal. Em 2014, 2.473 doentes com insuficiência renal entraram em tratamento para substituição da função renal, ou através de diálise ou de transplante de rim.
 
Segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Macário, em declarações à Lusa, afirma que “Portugal tem uma taxa de novos doentes a fazer diálise que é a mais alta de toda a Europa e uma das mais altas do mundo”.
 
Embora os motivos para este aumento de casos não sejam claros, os especialistas lembram que a diabetes e a hipertensão arterial, com grande incidência em Portugal, são das principais causas da insuficiência renal crónica.
 
Fernando Macário lembrou que Portugal tem “uma total disponibilidade de diálise para os doentes”, sem restrições ao tratamento, “o que é um fator positivo”.
 
Segundo o especialista, aumentou também o número de os doentes que foram transplantados sem necessitarem de passar primeiro pela diálise. Enquanto em 2013 se registraram apenas nove casos, em 2014 houve 24 doentes transplantados de forma direta.
 
“O transplante renal é dependente da disponibilidade de órgãos, a maior parte de cadáver. Implica uma espera. Em média, a espera é de cinco anos. Uma maneira de contornar esta espera é o doente ter alguém que lhe doe um rim em vida e, assim, pode ser transplantado sem ter de passar pela diálise”, explicou Fernando Macário à Lusa.
 
Até 2007, a doação de órgãos só era permitida entre familiares com consanguinidade até ao terceiro grau. A partir da lei n.º 22/2007, qualquer pessoa, como cônjuges ou amigos, pode ser dador de órgãos em vida, independentemente de haver relação de consanguinidade.
 
Em Portugal estima-se que cerca de 800 mil pessoas sofram de doença renal crónica e atualmente estão em tratamento 18 mil doentes (dois terços em diálise e um terço já transplantados).
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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