Portugal lidera casos de Sida na União Europeia, estima media internacional

Não existe número exacto de infectados por HIV

03 dezembro 2001
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As mensagens e manifestações de solidariedade chegaram de todos os continentes. Sábado foi Dia Mundial da Luta Contra a Sida e o mundo voltou a ouvir o número de vítimas que pereceram à mais grave epidemia da história da humanidade. Durante os últimos 20 anos de história de HIV, o vírus já levou à morte cerca de 20 milhões de pessoas. Infelizmente, Portugal ocupou, este fim-de-semana, um lugar de destaque nos noticiários das principais cadeias televisivas europeias.
 

 

Se em África se vive uma verdadeira catástrofe, na União Europeia é Portugal quem lidera o topo da tabela dos infectados por HIV, vírus da Sida.
 

 

Segundo estima a Agência das Nações Unidas para a Sida, a ONUSida, existem cerca de 36 mil portugueses infectados pelo HIV em finais de 1999, dos quais sete mil são mulheres. Estimativas divulgados pelas agências estrangeiras aponta para o facto de Portugal ter 104 casos relatados de Sida por um milhão de habitantes, contra uma média da União Europeia de 22,5.
 

 

No entanto, segundo dados avançados no relatório de 2001 pela Comissão Nacional de Luta Contra a Sida (CNLCS) são 17.858 os infectados. Na verdade, não se sabe ao certo o número de infectados por HIV em Portugal. As infecções desconhecidas podem ser o dobro dos casos notificados, facto que leva a Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA a temer a real possibilidade de expansão da infecção.
 

 

Para o coordenador da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida (CNLCS), Fernando Ventura, citado pela imprensa internacional, a alta taxa de infecção de Portugal ocorre devido ao facto do país ser mais pobre e menos desenvolvido do que seus vizinhos europeus. Em particular, ressalta o responsável, que o uso de drogas injectáveis tem sido responsável pela transmissão de cerca de 50 por cento dos casos registrados.
 

 

Situação grave
 

 

"A situação em Portugal é grave e a natureza da doença significa que a alta taxa que observamos agora é devido a infecções que ocorreram seis a dez anos atrás", adiantou à Reuters Fernando Ventura. "Todos os nossos esforços actuais só vão reduzir os números daqui a seis a oito anos", acrescentou.
 

 

Um facto que piora a situação em Portugal é o de podermos estar perante uma nova epidemia de sida em Portugal.
 

Segundo o jornal Público da edição de sábado, um subtipo do vírus HIV-1, originário da costa ocidental africana, tem estado a crescer no país e os primeiros estudos revelam que a população por ele infectada tem menos sucesso no tratamento com os inibidores da protease, uma das classes de medicamentos mais usados nas terapias múltiplas.
 

 

Igreja entra na luta
 

 

Ao longo da última semana, a Igreja Católica portuguesa decidiu integrar o movimento de luta contra a Sida. Segundo um comunicado da Conferência dos Bispos, "A Igreja não é indiferente a este esforço colectivo, pois ele está relacionado a um problema grave".
 

 

E é por isso que os bispos fizeram um apelo aos casais para realizar exames de sangue antes de iniciar um relacionamento estável "no casamento ou em outra forma". Para o coordenador da Comissão Nacional de Luta Contra a Sida, citado pela agência Reuters, o apoio da Igreja é vital.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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