Portugal inicia recolha de sangue do cordão umbilical

Células estaminais servem para tratar doenças

09 julho 2003
  |  Partilhar:

Os pais dos recém-nascidos em Portugal vão poder, a partir de segunda-feira, guardar as células do sangue do cordão umbilical para tratar várias doenças que possam vir a afectar os filhos, como leucemias e tumores.
 

 

As chamadas células estaminais, existentes no sangue do cordão umbilical, poderão ser recolhidas logo após o parto, num estojo próprio. Até agora essa solução não era utilizada em Portugal.
 

 

A partir de segunda-feira, será possível as equipas que realizam o parto prestarem esse serviço, através da Crioestaminal, uma empresa de Coimbra, que irá funcionar em parceria com a Cryo-Cell Europe N.V., da Bélgica, com vasta experiência no isolamento e criopreservação das células estaminais.
 

 

A pedido dos pais e por 935 euros, será fornecido um estojo com todo o material necessário à recolha do sangue do cordão umbilical que, em menos de 48 horas, é enviado para aquela empresa belga, onde as células são testadas, isoladas e criopreservadas por um período mínimo de 20 anos, disse à Agência Lusa o bioquímico Raul Santos, sócio-gerente Crioestaminal.
 

 

O objectivo é poder, se necessário, usar as células no tratamento de várias doenças que possam vir a surgir ao longo da vida do recém-nascido ou, eventualmente, seus familiares.
 

 

O recurso ao sangue do cordão umbilical funciona como alternativa nomeadamente ao transplante da medula e tem a vantagem da «disponibilidade imediata e impossibilidade de rejeição», um dos principais entraves dos transplantes, referiu aquele responsável.
 

 

Constituída em finais de Junho, a Crioestaminal é a primeira empresa em Portugal a prestar este tipo de serviço. Será apresentada publicamente sexta-feira e começa a funcionar segunda-feira, na incubadora de empresas do Instituto Pedro Nunes, em Coimbra.
 

 

A ideia de criar a nova empresa surgiu há cerca de ano e meio, por Gonçalo Castelo-Branco, director científico da Crioestaminal e investigador do Karolinska Institute em Estocolmo, onde prepara uma tese de doutoramento sobre o eventual contributo das células estaminais na cura da doença de Parkinson.
 

 

Existem dezenas de laboratórios que estudam em todo o mundo novas aplicações para as células estaminais, que, sabe-se, podem ser utilizadas na cura principalmente de doenças sanguíneas, como alguns tipos de leucemia, linfomas e tumores sólidos, disse o bioquímico.
 

 

As células estaminais existem no sangue do cordão umbilical mas também na medula óssea e, em pequenas quantidades, no corpo humano.
 

 

Têm a capacidade de se diferenciar em diversos tipos celulares e de se auto-renovar e dividir indefinidamente.
 

Para que seja possível recolher o sangue do cordão umbilical, os pais do futuro recém-nascido devem contactar a Crioestaminal, que lhes fornece o estojo que devem levar para a maternidade ou hospital.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.