Portugal é o sexto país da UE onde se consomem mais antibióticos

Estudo do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças

10 novembro 2009
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Os países do Sul da Europa são os que consomem mais antibióticos indevidamente e, por isso, têm mais bactérias resistentes aos medicamentos, alertou o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, em inglês).

 

Numa lista de 2006, a Grécia e o Chipre eram os líderes e Portugal ocupava o sexto lugar. Numa nota enviada à imprensa, citada pela agência Lusa, Dominique Monnet, do ECDC, explica que no Sul da Europa se usam os antibióticos para tratar infecções virais com “demasiada frequência”, adiantando que as gripes e constipações não precisam desse tipo de tratamento.

 

O especialista atribuiu o problema à pressão dos pais sobre os médicos para receitarem antibióticos aos filhos e à possibilidade de estes serem comprados na farmácia sem receita médica, facto que, adianta, não acontece na maior parte dos países da Europa.
 

O Bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, considerou que o uso de antibióticos na alimentação do gado contribui muito mais para a resistência humana a antibióticos do que a prescrição destes medicamentos por clínicos.

 

Para explicar o fenómeno de se tomarem mais antibióticos em Portugal do que noutros países, o bastonário não descarta a responsabilidade dos médicos, mas considera que há uma contribuição de vários factores, como o acesso das pessoas à medicina. "Se um doente vai ao médico e se este souber que no dia seguinte ele pode voltar lá, é capaz de não lhe receitar medicamento nenhum, mas se sabe que naquele centro de saúde o doente, para ter uma consulta, tem de ir para lá às cinco da manhã ou que não há facilmente consultas, é natural que, de uma forma profilática, lhe receite logo o antibiótico, porque não conseguirá depois acompanhar a situação", salientou.

 

Outro factor que ajuda a explicar o fenómeno é, segundo o bastonário, a própria cultura da população, que prefere tomar um antibiótico antes de ele ser necessário. Também importante, segundo Pedro Nunes, é a facilidade de obtenção de medicamentos sem receita médica em Portugal.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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