Porque se come sem fome?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

11 agosto 2015
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Investigadores americanos sugerem que o desejo de comer algo sem fome pode estar associado à ausência de uma hormona no cérebro que incentiva o comer por prazer, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 
Os investigadores da Escola de Medicina Rutgers Robert Wood Johnson, nos EUA, constataram que quando o peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1, sigla em inglês) estava reduzido no sistema nervoso central de ratinhos, eles comiam mais e consumiam mais alimentos ricos em gordura.
 
Os peptídeos GLP-1 são pequenas sequências de aminoácidos que têm muitas funções, atuando inclusivamente na forma como o organismo regula os comportamentos alimentares. Estes são segregados por células do intestino delgado e cérebro, informando este último para parar de comer quando o organismo já está satisfeito.
 
Contudo, os investigadores referem que ainda não se sabe de que forma a libertação desta hormona no cérebro contribui para a regulação do apetite. Apesar de esta não ser a única razão para as pessoas ingerirem alimentos em excesso, este estudo sugere que ter como alvo os neurónios do sistema dopaminérgico mesolímbico (um circuito de recompensa do cérebro) em vez do organismo na sua totalidade, pode ser uma melhor forma de controlar a alimentação excessiva e a obesidade com poucos efeitos secundários.
 
No estudo, os investigadores liderados por Zhiping Pang constataram que a ativação da GLP-1 no sistema dopaminérgico mesolímbico afeta a comunicação entre os neurónios para controlar os comportamentos de recompensa, incluindo comer. Verificou-se que, nestas circunstâncias, os ratinhos consumiam menos comida e deixavam de preferir alimentos com elevado teor de gordura.
 
“Estas são as mesmas áreas cerebrais que controlam outros comportamentos aditivos, como o abuso de drogas, álcool e o tabagismo. Acreditamos que o nosso trabalho tem grandes implicações na compreensão de como as funções do GLP-1 influenciam os comportamentos motivacionais”, revelou, em comunicado de imprensa, Zhiping Pang.
 
De acordo com o investigador, por que comemos, quanto comemos e quando paramos de o fazer são comportamentos controlados pelo sistema nervoso central que permite ao organismo responder ao meio circundante. É por isso que é importante perceber a motivação que está na base da fome hedónica, a vontade de comer por prazer e não para ganhar energia. Os fatores fisiológicos e motivacionais poderão fornecer uma melhor compreensão dos hábitos alimentares modernos e por que motivo é possível ocorrer uma disfunção, podendo, dessa forma, conduzir a terapias mais específicas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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