Porque nos matamos na estrada?

Condutores acham que a culpa dos acidentes é dos outros

24 julho 2003
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Os condutores portugueses consideram-se cuidadosos, atentos e competentes e responsabilizam os outros pelos acidentes, concluem os autores de um estudo que pretende responder à pergunta «Porque nos matamos na estrada?».
 

 

Jorge de Sá (sociólogo) e Luís Reto (psicólogo), que lançam o livro «Porque nos matamos na estrada... e como o evitar» no próximo dia 30, identificaram várias razões que justificam o elevado número de vítimas rodoviárias em Portugal e concluíram que, apesar de os portugueses se preocuparem com a sinistralidade, estão longe de ter uma imagem realista sobre o problema.
 

 

Culpabilização externa dos acidentes, condução com velocidade, percepção das autoridades como «o inimigo» e formação deficiente são alguns dos aspectos que os dois especialistas apontam como factores indirectos da sinistralidade.
 

 

«Os condutores portugueses vêem-se a si próprios como cuidadosos e calmos, peritos na condução, responsáveis e atentos, enquanto reservam para os ''outros'' a falta de civismo, a imprudência, a agressividade e a falta de competência na condução», salienta o estudo.
 

 

Segundo os autores, «somos um povo com uma forte tendência para a adopção de mecanismos de desculpabilização, encontrando no exterior de nós próprios (nos ''outros'', no Estado ou na Providência) as razões dos nossos infortúnios».
 

 

A responsabilidade recai, assim, sobre «o mau estado das infra-estruturas rodoviárias, a falta de policiamento, o mau estado do parque automóvel e, particularmente, o destino, já que 30 por cento dos condutores estão de acordo que os acidentes são uma fatalidade (sobre a qual) pouco há a fazer». Novamente «num mecanismo de evidente desculpabilização» a velocidade é a transgressão que mais admitem praticar, mas que, no entanto, não destacam particularmente entre as causas dos acidentes.
 

 

A má relação com a autoridade é uma outra dimensão destacada, pela negativa, no estudo: "As autoridades rodoviárias são mais percebidas como ''o inimigo'' que nos espreita e que é gratificante ludibriar do que alguém que está no terreno para nos proteger, prevenindo as situações de acidente, dissuadindo os faltosos ou punindo os infractores que colocam em risco a nossa segurança».
 

 

Entre 1 de Janeiro de 1986, data que assinala a adesão de Portugal à CEE, e 31 de Dezembro de 2002 morreram nas estradas portuguesas 34.661 pessoas (tantas quanto os habitantes da Covilhã e Castelo Branco) e ficaram gravemente feridas 171.040 (número equivalente à população das cidades de Gaia ou Amadora). Quanto aos feridos ligeiros - 882.804 - o número ultrapassa em quase 10 por cento a totalidade dos habitantes de Lisboa e Porto.
 

 

Fonte: Lusa
 

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