Porque nos lembramos de um rosto mas não do seu nome?

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

10 agosto 2011
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Neurocientistas da Universidade de Bristol, Reino Unido, identificaram a razão pela qual, às vezes, reconhecemos o rosto de uma pessoa conhecida, mas somos incapazes de nos lembrar do seu nome. Os resultados foram publicados no “Journal of Neuroscience”.

 

A equipa, liderada por Clea Warburton e Gareth Barker, investigou por que reconhecemos melhor rostos se tivermos pistas adicionais sobre onde ou quando conhecemos essa pessoa pela primeira vez.

 

No estudo verificaram que, quando precisamos de lembrar-nos de algo em particular, um lugar ou um rosto, por exemplo, num determinado momento, devem trabalhar juntas várias regiões do cérebro e não de forma independente.

 

Os cientistas sabem que são três as regiões do cérebro que parecem ter funções específicas no processo de memória: o córtex perirrinal, chave para a capacidade de reconhecer se  algo em particular nos  é novo ou familiar, o hipocampo, importante para reconhecer lugares e orientação e o córtex pré-frontal medial, associado com as funções cerebrais superiores.

 

No entanto, estudos mais recentes são os primeiros a argumentar que estas regiões cerebrais interagem todas juntas, ao invés de funcionarem de forma individual. "Estamos entusiasmados por termos descoberto este importante circuito cerebral.

 

Estamos agora a estudar como a informação é processada na memória, na esperança de que possamos, assim, entender como funciona o nosso próprio sistema de ‘biblioteca interna’”, disse, em comunicado de imprensa, Clea Warburton.

 

Na investigação foram estudadas as bases neuronais da capacidade de reconhecer diferentes tipos de estímulos em diferentes condições, mostrando um interesse particular por dois tipos de memória de reconhecimento: a memória de reconhecimento de objectos localizados num só lugar - lembrar-se, por exemplo, onde deixou as chaves – e a memória de reconhecimento temporal, isto é, quando deixámos as chaves no local.

 

Nem a memória para reconhecer objectos num lugar, nem a de reconhecimento temporal poderiam funcionam se a comunicação entre o hipocampo, córtex perirrinal e córtex pré-frontal medial for cortada. Isto é, a desconexão entre estas regiões cerebrais impede que consigamos recordar onde estava algo e em que ordem temporal.

 

Descobrir que estas regiões devem actuar em conjunto tem implicações importantes para a compreensão dos mecanismos da memória e para o tratamento de pessoas com doenças como o Alzheimer.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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