Porque não confiamos uns nos outros?

Detectada área do cérebro que controla o sentimento

13 abril 2005
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Cientistas americanos dizem ter detectado, através de ressonância magnética, a área do cérebro responsável pela confiança. A descoberta pode ser importante para a compreensão geral de julgamentos de confiança, assim como condições como esquizofrenia e autismo, segundo o investigador que chefiou a investigação, Read Montague.
 

 

O cientista afirmou que este estudo pode ajudar casos em que as pessoas «tenham uma incapacidade de se relacionar com o próximo, como o autismo, ou em que pessoas não sabem confiar nos outros».
 

 

Os resultados sugerem que uma região cerebral chamada «núcleo caudato» é accionada quando recebe ou processa informações para a tomada de decisões baseada em confiança.
 

 

A equipa da Faculdade de Medicina de Baylor apoiou as suas conclusões em exames de ressonância magnética feitos em voluntários que faziam jogos de apostas a dinheiro.
 

 

Na experiência, um dos jogadores, denominado «investidor», recebia cerca de 20 euros e tinha a opção de investir tudo ou dar parte da quantia a outro, chamado «depositário».
 

 

De acordo com as regras, conhecidas por ambos, qualquer quantia dada pelo investidor deveria triplicar. O depositário tinha então a opção de devolver uma parte da soma ao investidor.
 

 

Os autores do estudo observaram o que acontecia com o cérebro de ambos durante as dez rodadas de jogo. E concluíram que o quanto um confiava no outro para tomar conta do seu dinheiro dependia do histórico recente das transacções.
 

 

A actividade no núcleo caudato era maior quando o investidor retribuía generosidade com generosidade e menor quando o investidor retribuía com menos dinheiro.
 

 

De acordo com os cientistas, este facto sugere que o núcleo caudato recebe ou processa informações tanto sobre a justiça da decisão do parceiro, como sobre a sua intenção de retribuir a decisão com confiança.
 

 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que o núcleo caudato está ligado aos «canais cerebrais de recompensa», os quais ficam congestionados quando é esperada uma recompensa.
 

O estudo foi publicado na revista Science.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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