Porque motivo os cancros se tornam resistentes à quimioterapia?

Estudo publicado no “PLoS Biology”

10 abril 2012
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As mutações genéticas nas células cancerígenas podem conduzir à resistência ao tratamento, resultando potencialmente na reincidência do cancro. Mas agora um novo estudo publicado no “PLoS Biology” sugere que o inverso também pode ocorrer, ou seja, que algumas células fiquem resistentes antes das mutações ocorrerem e mais tarde adquirirem genes que estabilizam a resistência.

 

A importância de saber se a resistência se estabelece antes ou depois das mutações genéticas deve-se ao facto de a eficácia do tratamento depender principalmente da prevenção da resistência. Caso as mutações genéticas ocorram primeiro, como é defendido pela visão atual, e se disseminem causando resistência, os protocolos de tratamento devem focar-se na prevenção das células cancerígenas que apresentem um determinado tipo de mutações associadas à resistência.

 

Os investigadores da University of California, nos EUA, argumentam que algumas células podem tornar-se resistentes antes de adquirirem mutações específicas. Esta resistência pode ocorrer através da variação aleatória das características celulares, que tem sido amplamente observada nas células geneticamente idênticas.

 

Como alternativa, a resistência pode ocorrer quando as células alteram as suas características em resposta ao stress associado à sua movimentação para novos tecidos ou devido à sua interação com fármacos tóxicos. Caso as células se tornem resistentes podem, mais tarde, adquirir alterações genéticas que estabilizem essa resistência.

 

Esta nova visão de que a resistência ocorre em primeiro lugar não é completamente nova. Contudo, como o número de resultados que apoiam esta hipótese é ainda reduzido, a comunidade científica não conseguiu chegar a um consenso sobre esta matéria.

 

Este novo artigo teve como objetivo apresentar uma nova perspetiva baseada nos resultados de experiências anteriores bem como no conhecimento da teoria da evolução, na qual as populações se adaptam às condições extremas. Assim, serão necessários realizar mais estudos à luz desta nova teoria, para determinar se a utilização de novas abordagens terapêuticas poderão melhorar os resultados dos tratamentos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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