Porque motivo o ritmo circadiano está associado à morte súbita cardíaca?

Estudo publicado na “Nature”

27 fevereiro 2012
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A morte súbita cardíaca, causada maioritariamente por arritmias ventriculares ou ritmos cardíacos anormais, ocorre mais frequentemente durante as primeiras horas da manhã ou no início da noite. O estudo publicado na revista “Nature” vem agora desvendar a base molecular da associação entre o ritmo circadiano e os ritmos cardíacos fatais que conduzem à morte súbita.

 

Neste estudo os investigadores da Case Western Reserve University, nos EUA, descobriram que a proteína denominada Krüppel-like Factor 15 (Klf15), que controla o ritmo circadiano, está na base desta associação e regula a atividade elétrica do coração. O excesso ou falta de Klf15 conduzem à perda ou à rutura do ciclo elétrico do coração  e aumenta bastante a suscetibilidade às arritmias. Níveis baixos desta proteína podem ser encontrados em pacientes com insuficiência cardíaca, enquanto que os níveis elevados causam alterações no eletrocardiograma como aquelas encontradas em pacientes com a síndrome de Brugada, uma doença genética que afeta o ritmo cardíaco.

 

“O nosso estudo identificou um mecanismo desconhecido da instabilidade elétrica no coração, fornecendo informações sobre as variações diurnas e noturnas associadas à suscetibilidade da arritmia, que já era conhecida há muito anos”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Darwin Jeyaraj.

 

Com base neste conhecimento, os investigadores podem propor novos tratamentos com o objetivo de reduzir a incidência de morte súbita cardíaca. Assim, sabendo que os níveis da KLF15 se encontram reduzidos nos pacientes com insuficiência cardíaca, uma medicação que aumente os níveis desta proteína, particularmente em determinadas alturas do dia em que a morte súbita é mais comum, poderia reduzir a incidência desta doença fatal.

 

Embora este estudo comprove que o ritmo circadiano é um fator importante na morte súbita cardíaca, também levanta a possibilidade de existirem outros fatores. Assim, há necessidade de prosseguir com novos estudos de forma a averiguar como é que outros componentes do relógio biológico podem afetar a estabilidade elétrica do coração.

 

Um dos autores do estudo, Mukesh K. Jain, revelou que “pode ser que com mais estudos, a avaliação dos distúrbios do ritmo circadiano em pacientes com doenças cardiovasculares nos conduza a abordagens inovadoras para o diagnóstico, prognóstico e tratamento. Em particular, estas terapias poderiam ser benéficas para os pacientes com insuficiência cardíaca ou mutações hereditárias onde a morte durante a noite é comum”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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