Porque é que o sarampo se dissemina tão rapidamente?

Estudo publicado na “Nature”

07 novembro 2011
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Cientistas da Mayo Clinic descobriram que o vírus do sarampo utiliza uma proteína, presente nas células do hospedeiro, para infectar e se propagar a partir da sua localização estratégica na garganta, o que poderá explicar o porquê de este vírus se disseminar tão rapidamente, revela um estudo publicado na “Nature”.
 

Apesar do desenvolvimento da vacina contra o sarampo, este vírus continua a afectar mais de 10 milhões de crianças e a matar cerca de 120.000 por ano, em todo o mundo. Para além disso, nos últimos anos, a disseminação do vírus tem aumentado devido a falta de vacinação.
 

Mas porque é que o vírus do sarampo é mais contagioso do que os outros vírus que atingem o tracto respiratório? O líder da investigação, Roberto Cattaneo, explicou em comunicado enviado à imprensa que “o vírus do sarampo desenvolveu uma estratégia de diabólica elegância”. Primeiro, infecta as células do sistema imunitário presentes nos pulmões, os macrófagos e as células dendríticas,  que constituem a primeira linha de defesa do hospedeiro contra os organismos invasores, para entrar dentro do hospedeiro. Após infecção estas células atravessam o epitélio respiratório transportando assim a infecção para os órgãos linfáticos onde o vírus do sarampo se replica vigorosamente.  
 

Roberto Cattaneo acescenta que, “as células imunes infectadas descarregam a sua carga viral especificamente nas células que expressam a proteína de superfície nectin-4, o novo receptor. Como estas células se encontram localizadas na traqueia, o vírus surge na localização exacta para que o contágio seja facilitado.”
 

Por outro lado, na opinião dos investigadores, estes resultados podem também ajudar a combater o cancro do ovário, mama e pulmão, pois o  nectin-4 é um biomarcador destes tipos de cancros.
 

Como o vírus do sarampo tem como alvo as células que expressam o nectin-4, a terapia cancerígena baseada neste vírus também poderá ter mais sucesso em pacientes cujas células cancerígenas também expressem este receptor. Muitos cientistas acreditam que a modificação de vírus pode ser uma alternativa menos tóxica que a quimioterapia ou a radiação.
 

Actualmente, estão a ser realizados ensaios clínicos que utilizam o vírus do sarampo e outros vírus para combater o cancro, nomeadamente o do ovário, glioma e mieloma.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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