Porque é que o consumo de álcool é tão viciante?

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

18 janeiro 2012
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Investigadores americanos demonstraram, pela primeira vez em humanos, que o consumo de álcool conduz à libertação de endorfina em zonas do cérebro associadas à produção de sentimentos de prazer e recompensa, dá conta um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.

 

“Isto é algo acerca do qual temos vindo a especular nos últimos 30 anos, com base em estudos realizados em animais, mas que ainda não tínhamos observado, até agora, em seres humanos ", revelou a líder do estudo, Jennifer Mitchell. "Este estudo mostra pela primeira vez a razão pela qual o consumo de álcool produz um efeito de bem-estar nas pessoas."

 

Para avaliar o efeito direto do consumo de álcool no cérebro, os investigadores da University of California, nos EUA, realizaram tomografias aos cérebros de 13 indivíduos que consumiam álcool em excesso e aos cérebros de 12 indivíduos que não o faziam.

 

O estudo revelou que o consumo de álcool conduziu à libertação de endorfinas, pequenas proteínas que são produzidas naturalmente no cérebro e que têm efeitos semelhantes aos opiáceos, no cérebro de todos os participantes. Quanto maior era a quantidade de endorfinas libertada numa zona do cérebro denominada por núcleo de accumbens, maiores eram os sentimentos de prazer reportados por cada participante.

 

Adicionalmente, os investigadores também constataram que quanto maior era a libertação de endorfinas noutra região do cérebro, o córtex orbitofrontal, maior era a sensação de embriaguez sentida pelos indivíduos que consumiam álcool em excesso, mas não pelos que faziam parte do grupo de controlo.

 

“Estes resultados indicam que o cérebro dos indivíduos que consomem bebidas alcoólicas em excesso estão sujeitos a alterações que os torna mais propensos a gostar de álcool. Este sentimento de recompensa pode incentivar a um maior consumo de álcool”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo.

 

Os investigadores verificaram ainda que as endorfinas libertadas em resposta ao consumo de álcool se ligavam a um recetor opióide específico, o recetor Mu.

 

Os autores do estudo concluem que a descoberta dos locais precisos onde a endorfina é libertada fornece um possível alvo para o desenvolvimento de fármacos que consigam combater mais eficazmente este tipo de adição.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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