Porque é que doença fatal afeta alguns bebés prematuros

Estudo publicado na “Pediatric Research”

17 dezembro 2012
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Os bebés prematuros alimentados a leite de fórmula são mais suscetíveis à enterocolite necrotizante, uma doença intestinal grave que poderá ser fatal, do que os alimentados a leite materno. Esta doença constitui a principal causa de morte por doenças intestinais nos bebés prematuros. No entanto, o mecanismo da mesma ainda foi determinado.
 

Um estudo conduzido por especialistas em bioengenharia da University of California, San Diego, EUA, indica que os ácidos gordos livres produzidos durante a digestão de leite de fórmula são causadores de morte celular que poderá contribuir para a enterocolite necrotizante. O estudo foi baseado em ensaios in vitro para comparar a digestão de leite materno fresco e de nove leites de fórmula para bebés.
 

Segundo o responsável pelo estudo, Alexander Penn, já tinha sido demonstrado que a digestão parcial de alimentos, no intestino adulto, é capaz de eliminar as células devido à presença de ácidos gordos que têm a capacidade de danificar as membranas celulares.
 

Os intestinos adultos saudáveis e os de crianças mais crescidas possuem uma barreira mucosa que protege de danos causados pelos ácidos gordos livres. À nascença os intestinos dos bebés, especialmente dos prematuros, não possuem essa proteção, ficando assim mais suscetíveis de desenvolverem enterocolite necrotizante.
 

Os investigadores realizaram ensaios em que compararam a digestão do leite materno e o de fórmula, utilizando enzimas pancreáticas ou fluido intestinal. Foram também testados ambos os tipos de leite relativamente aos níveis de ácidos gordos livres.
 

Finalmente, testaram os ácidos gordos livres para determinarem se estes eliminavam três tipos de células relacionadas com a enterocolite necrotizante: células epiteliais que revestem os intestinos, células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos e os neutrófilos, um tipo de glóbulo branco responsável pela resposta do organismo à inflamação.
 

A digestão do leite de fórmula originou morte celular, em alguns casos em menos de cinco minutos, o que não sucedeu com o leite materno. A equipa coloca assim a hipótese que a maioria dos alimentos, tal como o leite de fórmula, libertam altos níveis de ácidos gordos livres durante a digestão, enquanto o leite materno é digerido através de um processo mais lento e controlado.

 

No futuro deve-se procurar desenvolver leites de substituição que sejam menos citotóxicos e que tragam menos riscos de morte celular e de enterocolite necrotizante, concluem os investigadores. Isto pode ser benéfico tanto para os bebés prematuros como para os nascidos a termo que apresentem maior risco de contraírem doenças associadas a problemas intestinais. Deve-se igualmente promover a alimentação com leite materno, encorajando as mulheres a fazerem-no mesmo nas situações mais difíceis em que, por exemplo, os recém nascidos estão nas unidades de cuidados intensivos neonatais e não se podem alimentar de forma convencional. Os profissionais de saúde devem providenciar o apoio necessário para que as mães recolham o seu leite que depois pode ser fornecido aos recém nascidos por via entérica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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