Porque é que algumas pessoas vivem até aos 110 anos?

Estudo publicado nos “Frontiers in Genetics”

11 janeiro 2012
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Os indivíduos que vivem até aos 110 anos ou mais apresentam os mesmos genes associados à doença que a população em geral, mas também têm genes que os ajudam a viver durante mais tempo, dá conta um estudo publicado na revista científica “Frontiers in Genetics”.

 

Neste estudo, os investigadores da Boston University Schools of Public Health, nos EUA, analisaram a sequência total do genoma de um homem e de uma mulher, que tinham vivido mais de 114 anos. Os supercentenários, pessoas que vivem mais de 110 anos, são extremamente raros, ocorrendo a uma taxa de uma pessoa por cada cinco milhões, nos países desenvolvidos, havendo cada vez mais evidências que a genética desempenha um papel importante na sobrevivência até estas idades.

 

O estudo, liderado por Paola Sebastiani, revelou que a arquitetura geral do genoma dos dois participantes era comparável à de outros genomas previamente sequenciados, em termos de taxa de novas variantes, variantes funcionais e variantes que estão associadas à predisposição de desenvolvimento de doenças associadas à idade e cancro. Apesar de os participantes apesentaram os mesmos genes associados à doença que a população em geral, a sua longevidade sugere que existem outros mecanismos protetores.

 

Os investigadores verificaram que, por exemplo, o homem estudado tinha 37 mutações genéticas associadas ao aumento do risco de desenvolvimento do cancro do cólon. "Na verdade, ele tinha desenvolvido cancro de cólon, no início da sua vida, o qual não tinha metastizado e que foi curado com uma cirurgia. Perto da hora da sua morte, a sua função cognitiva e a sua forma física eram espantosas”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Thomas Perls.

 

A centenária também apresentava variações genéticas associadas à idade, incluindo as associadas a um maior risco de desenvolvimento de Alzheimer, cancro e doenças cardiovasculares. A mulher desenvolveu insuficiência cardíaca congestiva e leve comprometimento da função cognitiva, contudo estas doenças só se manifestaram depois dos 108 anos.

“A presença destas variantes associadas ao desenvolvimento da doença é consistente com resultados de outras investigações nas quais também ficou demonstrado que os centenários apresentam tantos genes associados ao desenvolvimento da doença como a população em geral”, revelou Thomas Perls. “Possivelmente os centenários têm variantes associadas à longevidade que anulam o efeito dos genes associadas às doenças. Este efeito pode ir até ao ponto de impedir a ocorrência da doença, ou atenuar a severidade e o início do desenvolvimento da doença”, acrescentou o investigador.

 

De acordo com os autores do estudo, os resultados desta investigação sugerem que fenómenos genéticos incomuns e a combinação de variantes genéticas comuns contribuem para a base genética da longevidade humana extrema.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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