Por que motivo têm as mulheres uma maior longevidade?

Estudo publicado na revista “Current Biology”

07 agosto 2012
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A comunidade científica está a começar a perceber por que motivo as mulheres vivem, em média, mais anos do que os homens. O estudo publicado recentemente na revista “Current Biology” refere como as mutações no ADN mitocondrial podem influenciar a longevidade dos homens e mulheres.
 

De forma a perceber o que ditava as diferenças entre a longevidade e o processo de envelhecimento dos homens e mulheres, os investigadores da Monash University, na Austrália, realizaram estudos em moscas da fruta que têm mitocôndrias, ou seja organelos envolvidos na produção de energia de diferentes origens. Constatou-se que as variações genéticas das mitocôndrias poderiam prever a esperança de vida dos machos, mas não das fêmeas.
 

De acordo com um dos autores do estudo, Damian Dowling, estes resultados sugerem várias mutações no ADN mitocondrial que afetam a longevidade dos machos bem como a rapidez com que envelhecem. Contudo, estas mesmas mutações não têm nenhum efeito no padrão de envelhecimento das fêmeas.
 

“Todos os animais têm mitocôndrias e a tendência para as fêmeas viverem durante mais tempo do que os machos é comum a muitas espécies. Os nossos resultados sugerem que as mutações mitocondriais identificadas aceleram o envelhecimento dos machos em todo o reino animal”, revelou, em comunicado de imprensa, o investigador.
 

Os autores do estudo revelaram que o facto destas mutações apenas afetarem os homens está relacionado com o modo como os genes mitocondriais são herdados. "Enquanto as crianças herdam cópias da maioria dos genes do pai e da mãe, apenas herdam genes mitocondriais da mãe. O que significa que o processo de controlo da qualidade da evolução, conhecido por seleção natural, apenas filtra a qualidade dos genes mitocondriais nas mães”, explicou Damian Dowling.
 

"Se uma mutação mitocondrial afetar o pai, mas não tiver qualquer efeito na mãe, vai passar despercebida. Ao longo de milhares de gerações, estas mutações acumularam-se, afetando só os machos, deixando as fêmeas incólumes”, acrescentou o investigador.
 

Os autores do estudo estão atualmente a investigar os mecanismos genéticos que poderão ajudar os machos a conseguir anular os efeitos prejudiciais destas mutações e a manter-se saudáveis.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A

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