Por que motivo o tempo voa em situações divertidas

Estudo publicado na revista “Science”

12 dezembro 2016
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Investigadores do Centro Champalimaud identificaram os circuitos neuronais no cérebro dos ratinhos que modulam a estimativa do tempo decorrido, ajudando a compreender porque o "tempo parece voar" em situações divertidas e "ficar parado" em casos aborrecidos.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores Joe Paton, investigador principal do Learning Lab, Sofia Soares, estudante de doutoramento, e Bassam Atallah, pós-doutorado, apurou que a manipulação da atividade de determinados neurónios no cérebro do ratinho levava estes animais a subestimar ou sobrestimar a duração de um intervalo de tempo fixo.
 
Segundo um comunicado do Centro Champalimaud, ao qual a agência lusa teve acesso, “os cientistas identificaram, pela primeira vez, circuitos neurais que modulam a estimação do tempo decorrido – pelo menos no cérebro do ratinho”.
 
O estudo publicado na revista “Science” fornece uma resposta neurobiológica à antiga questão de perceber como o cérebro consegue produzir estimativas tão variáveis do tempo decorrido. 
 
"O tempo voa, o tempo passa, o tempo para. Todas estas expressões mostram o quão variável pode ser a nossa perceção da passagem do tempo", refere o comunicado.
 
Este foi o ponto de partida da investigação que pretendia perceber como é que o cérebro humano constrói esta experiência tão subjetiva. Os achados agora obtidos "também poderão ajudar a explicar por que o tempo parece voar quando nos divertimos e ficar parado quando não temos nada para fazer", refere o comunicado do centro de investigação.
 
O estudo focou-se num tipo de neurónios que libertam dopamina, um dos 'mensageiros' químicos, ou neurotransmissores, utilizados pelo cérebro, e que fazem parte de uma zona profunda, a 'substantia nigra pars compacta', que está envolvida no processamento temporal.
 
"Estes neurónios dopaminérgicos estão implicados em muitos dos fatores e perturbações psicológicos associados a alterações na estimativa do tempo", como motivação, mudanças sensoriais, atenção, novidade e emoções como medo ou alegria, referem os investigadores.
 
Nos seres humanos, a destruição da 'substantia nigra' provoca a doença de Parkinson, que também é acompanhada de deficiências da perceção do tempo.
 
Relativamente à possibilidade de extrapolar as conclusões do estudo para os seres humanos, "é muito provável que um circuito semelhante exista no cérebro humano, mas o obstáculo que impede de tirar essa ilação é que o que agora mediram no ratinho não pode ser considerado uma perceção, porque os animais não conseguem dizer o que sentiram", concluem os autores.
 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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